A cotação de soja atingiu ontem o valor mais baixo do ano. No porto de Paranaguá os negócios foram fechados a US$ 12,70 a saca, com pagamento à vista, inferior ao mês de maio quando os negócios atingiram US$ 13,30 em média. A queda nas cotações explica a morosidade das exportações em Paranaguá, avaliou o analista da Cotriguaçu, Fernando Muraro.
Para Muraro, o produtor nacional está apostando numa reversão das expectativas norte-americanas de colher uma produção recorde de soja a partir de novembro. Por isso, está retendo a produção à espera de uma reação nos preços do mercado internacional. ‘‘ Se a aposta do produtor falhar, no ano que vem será uma frustração geral’’, destacou. Segundo o analista, a queda nas cotações está sendo motivada por demanda retraida nos países da Ásia e excesso de oferta do produto no mercado.
‘‘A comercialização da soja esse ano está virando um jogo e o produtor tem que assumir o risco’’, disse Muraro. Segundo ele, ainda tem 40% da safra paranaense para ser comercializada e os preços internacionais estão extremamente baixos e os cenários no ‘‘ front’’ externo são negativos. Ocorre que o produtor brasileiro está apostando na reviravolta do clima norte-americano com o fim do ‘‘ el ni¤o’’ na região Sul do planeta e começo da ‘‘ el ni¤a’’ no hemisfério norte que pode provocar grandes geadas nos Estados Unidos.
Essa situação evidencia que o mercado está voltado para a meteorologia para decidir, afirmou Muraro. Para ele, esse ano será extremamente tenso e se houver uma reação nos preços, o produtor terá que pensar já na venda da futura safra 98/99, para ‘‘ segurar’’ os preços, porque ‘‘ o que nos cerca é uma safra-monstro de soja’’, recomendou.

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