Preço da soja segue aquecido no País
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A queda de 4,8% na estimativa da produção de soja nos Estados Unidos, reduzida para 88,6 milhões de toneladas, tem influenciado na elevação dos preços da commodity aqui no Brasil. Um relátorio foi apresentado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no último dia 12 de agosto, revisando os números da safra norte-americana. A menor oferta no mercado mundial fez com que o Indicador Esalq/BM&FBovespa sobre o produto transferido para os armazéns do porto de Paranaguá subisse 9,7% entre os dias 9 e 16 de agosto, fechando na última sexta-feira a R$ 70,65 a saca, segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq).
Em dólar, o indicador fechou a última semana a US$ 29,54 a saca, valor 3,8% superior ao registrado no início da semana. Lucilio Alves, pesquisador da área de grãos do Cepea, explica que o mercado já esperava essa evolução de preços porque contava, por meio de previsões, com uma redução na safra norte-americana. Mesmo com uma menor oferta do grão, o especialista explica que o consumo do mercado internacional se mantém aquecido, o que causa um desequilíbrio entre oferta e demanda.
"Esse cenário traz uma possibilidade de elevar as exportações brasileiras", salienta Alves. Porém, ele observa que a competição brasileira pelas exportações da commodity é acirrada, principalmente com a Argentina, que estima para a próxima safra uma produção de 13,7 milhões de toneladas. No Brasil, ainda não há um levantamento oficial da safra 2013/14, mas na última temporada a produção do grão foi de 81,46 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).
A redução da oferta mundial também está favorecendo os produtores. Alves exemplifica que, no Norte do Paraná, o preço pago ao produtor entre os dias 7 e 16 de agosto subiu 8,4%, fechando na última sexta-feira a R$ 59,60. "É uma situação favorável principalmente para os agricultores que fizeram estoques", sublinha o especialista. Além disso, ele ressalta que os atuais valores da commodity têm favorecido aqueles produtores que ainda não compraram os insumos da próxima safra no sistema de troca.
O gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, estima que 20% da safra 2012/13 do Paraná ainda não foi comercializada, mesmo índice registrado pelas cooperativas paranaenses. Turra observa que a valorização da oleaginosa já ocorre há algum tempo. No primeiro semestre de 2013, o preço pago ao produtor pela saca de soja foi de R$ 55, R$ 5 a mais se comparado ao mesmo período do ano passado. Turra estima que o valor pago pela saca da oleaginosa poderá chegar a R$ 60 neste segundo semestre. No ano passado, o preço do grão nesse mesmo período fechou a R$ 58.
Produção
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná colheu na última safra de verão em torno de 15,80 milhões de toneladas de soja, 46% a mais se comparado ao ciclo 2011/12. Em área, o Paraná destinou 4,68 milhões de hectares para a oleaginosa, 6% superior à temporada anterior.
Mesmo sem um levantamento de plantio e colheita da safra 2013/14, Turra arrisca dizer que, devido aos bons preços, o agricultor paranaense deverá aumentar a sua área de plantio de soja e reduzir a semeadura do milho no próximo ciclo, "mas ainda é cedo para mencionar números ou percentuais", completa.
No Brasil, segundo informações da Conab, a produção do grão na safra 2012/13 foi estimada em 81,46 milhões de toneladas, 22,7% a mais se comparado ao ciclo 2011/12. Em área, o País destinou no último período 27,72 milhões de toneladas, 10,7 a mais no comparativo com a safra anterior.



