Preço da soja recua 9,3% no Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de outubro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Depois de atingir o maior valor do Plano Real, o preço da soja caiu 7,6% nos últimos 12 dias. Anteontem, pelos indicadores Esalq/BM&F, a saca de 60 quilos foi comercializada a R$ 43,58. No dia 27 de setembro, data da maior cotação, a mercadoria chegou a custar R$ 47,16. No Paraná, o preço pago ao produtor recuou 9,3% no mesmo período e anteontem, quando foi negociada a R$ 39,24.
Mais uma vez, a oscilação do dólar e a expectativa com relação à safra dos Estados Unidos são os causadores da variação. Como o preço da soja é indexado à moeda americana, a valorização do real nos últimos dias influenciou a cotação. O engenheiro agronômo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), alertou que essa conjuntura não é estável. Segundo ele ''pode ser que a soja aumente um pouco mais''.
O preço da soja na Bolsa de Chicago também recuou. De 27 de setembro a 4 de outubro, os preços futuros do grão caíram 3,57% (com vencimento para novembro de 2002) e os prêmios de exportação baixaram de 55 para 35 centavos de dólar por bushel.
A desvalorização é explicada pela expectativa com relação ao fim da safra americana. ''A colheita está acabando e parece que os Estados Unidos vão produzir mais do que esperavam'', disse Hubner. Por causa da seca que atingiu as lavouras, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) previa uma safra com seis milhões de toneladas a menos que a estimativa inicial.
Ajuste de preços - A queda nas cotações da soja no Brasil foi encarada pelo mercado como um ajuste técnico de preços. ''O valor anterior era fruto de especulação por causa da alta do dólar'', explicou Sílvio Alface Neto, trader da Corretora Spinelli, de São Paulo. '' Agora a mercadoria está chegando a um preço real, sem exageros'', considera.
Nagib Abudi Filho, diretor da Investidor Global, em Londrina, comentou que a recuada foi grande, mas o preço da soja ainda é ''excepcional'' em reais. ''Está acima da paridade de exportação'', disse.
Segundo Abudi Filho, a tendência, desde setembro, é que a cotação no mercado interno se descole da conjuntura de Chicago. ''A indústria paga de acordo com a necessidade'', afirma. O Brasil ainda mantém 5% da safra passada em estoque, o que corresponde a 2,2 milhões de toneladas.


