A baixa cotação da soja registrada no mercado interno nos últimos anos pode cair ainda mais em 2006. Isso poderá ocorrer porque os estoques mundiais da oleaginosa estão altos e os Estados Unidos estão iniciando o plantio da safra 2006/07. ''Se a safra americana for normal e não tiver quebra, o preço vai cair de uma tal forma que vai desestimular os produtores da América do Sul'', prevê Alvaro Ancêde, um brasileiro que está a frente do The Laifa Group (corretora americana que atua na Bolsa de Chicago).
Ontem, Ancêde ministrou uma palestra sobre os ''Rumos do mercado da soja'' na sede da Cooperativa Agropecuária Rolândia (Corol) para diretores e cooperados. Ele lembrou que, embora a cotação da oleaginosa não esteja em um patamar muito elevado, o preço não está baixo. ''No mercado internacional, o preço está razoável, historicamente falando. No entanto, para os níveis de estoque que temos hoje era, inclusive, para os preços estarem bem mais baixos'', analisou.
Segundo o corretor, a cotação não caiu no mercado internacional porque há especulações sobre a ocorrência de inflação em produtos como ouro, prata, petróleo e cobre. ''Isso está dando sustentação para o preço da soja mas, eventualmente, o produtor terá que lutar contra o problema dos estoques excessivos'', disse. Ele acrescentou que nos últimos seis anos a cotação da soja valorizou cerca de 30%, subindo da faixa dos US$ 4 para US$ 5,50. ''No Brasil o que está ocorrendo é o problema cambial. A desvalorização do dólar é que está matando o agricultor brasileiro'', comentou.
Diante deste panorama - a tendência de queda dos preços e os altos estoques - a única saída apontada por Ancêde é a redução da área de plantio. ''Se tem excesso de estoque no mundo, e que vem se acumulando nos últimos dois anos, os preços tendem a continuar reprimidos até que haja um aumento na demanda ou a redução da oferta'', explicou. Os preços mundiais da soja só irão aumentar se a safra americana for reduzida devido às adversidades climáticas. Em um curto espaço de tempo, a tendência é que não haja aumento do consumo. Com a soja é utilizada para alimentar as aves, a tendência é que caia ainda mais a demanda porque o plantel está sendo reduzido mundialmente.
Ancêde, no entanto, diz que não há uma commodity específica que os produtores rurais devam focar. ''Cada região tem uma vocação e o produtor deve avaliar o custo de produção, de transporte e otimização'', comentou. Embora o açúcar tenha registrado bons preços no mercado internacional, o corretor lembra que a cana-de-açúcar tem ciclos de produção e que, eventualmente, haverá períodos de preços baixos. ''Adversidades sempre acontecem com qualquer atividade produtiva. Por isso, na época das vacas gordas é preciso economizar um pouco para financiar as vacas magras'', afirmou.

mockup