O agricultor não deve contar grandes alterações no preço da soja. Com oferta maior que a demanda é muito arriscado esperar por uma possível perda da safra norte-americana em consequência de aventual adeversidade climática, já que esta seria uma das poucas chances de mudar a tendência do mercado.
O alerta foi feito ontem pelo consultor de bolsas de cereais, Alvaro Ancêde, da empresa americana Laifa Group. Ancêde falou ontem à noite na Cooperativa Integrada, à convite da Cerealpar.
Para Ancêde, a melhor estratégia, diante do mercado atual de soja, é não segurar os estoques. ‘‘Estamos vivendo um situação inusitada no Brasil, em que devemos bater o recorde de produção devido às ótimas condições de colheita em todas as regiões produtoras. E o que tudo indica, é que teremos também uma grande safra americana’’, disse Ancêde.
Mas ele se mostra otimista em relação ao aumento do consumo interno de farelo de soja. Devido ao problema da vaca louca, prevê aumento do consumo de aves que também se alimentam de farelo de soja. Como exemplo, citou a Arábia Saudita, um dos maiores consumidores de aves do Brasil, que já anunciou que quer comprovações de que as aves não são tratadas com farelo de carne de osso para continuar as importações.
Mesmo com tanta oferta de soja no mercado mundial, a produção americana não deve diminuir, pois o governo mantém um programa que paga ao produtor a diferença entre o preço mínimo (U$ 5,26) e o preço de mercado. ‘‘Eles mantêm o preço artificialmente alto com o preço mínimo subsidiado. Quem perde é o contribuinte, pois no ano passado o governo americano gastou cerca de U$15 bilhões na manutenção do programa’’, salientou Ancêde.

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