Historicamente, o preço da saca de soja sempre esteve cotado em torno dos 10 dólares, no entanto, os insumos nunca tiveram preços tão altos como agora. As boas perspectivas, de produção e de produtividade, para a safra da soja 2004/2005, contrastam com o prognóstico nada favorável para os preços que não cobrem os custos de produção.
Na avaliação do analista de mercado do Instituto FNP, Daniel Dias, que presta consultoria agropecuária em São Paulo, além dos produtores terem enfrentado a alta dos preços dos insumos no ano passado, agora ainda têm a comercialização de grãos prejudicada devido à cotação cambial desfavorável.
Os preços dos insumos avançaram 15% em 2004. Os fertilizantes, por exemplo, cujas matérias-primas (nitrogênio, fósforo e potássio) são predominantemente importadas, subiram 20% em consequencia da alta do petróleo (fundamental na obtenção de nitrogênio) e do aumento dos fretes marítimos. O que aconteceu é que a maioria dos produtores comprou os insumos quando o dólar custava R$ 3,10. Ontem, o dólar girava em torno de R$ 2,58. A perspectiva, diz o analista, é achatamento da renda dos agricultores que pagaram pelo hectare entre R$ 1,2 mil a R$ 1,5 mil.
Mesmo com os preços mostrando recuperação por esses dias em razão da estiagem no Sul do país, que já provoca quebra na safra em algumas regiões, o analista salienta que a tendência não é subir. ''Hoje, o mercado está muito especulativo em razão da seca no Rio Grande do Sul. A estiagem interrompe neste mês de fevereiro a tendência de queda das cotações domésticas e internacionais do grão, mas se as previsões de chuvas se confirmarem nos próximos dias (final de fevereiro e começo de março), os preços tendem a cair consideravelmente'', afirmou Daniel Dias. O preço da saca ontem em Londrina estava cotado a R$ 29,70 (as empresas pagam em torno de R$ 28).
Na opinião do analista, o principal defeito do produtor rural é não fazer planejamento a médio e longo prazo. ''Para a safra seguinte, não muda muito a lição de casa. O produtor deve trabalhar com pacote agrícola (desde a mecanização até o beneficiamento da colheita) que garanta produtividade e utilizar a cobertura de preço de mercado futuro'', aconselha Dias, lembrando que os produtores brasileiros são reticentes em fazer a cobertura no mercado futuro. ''O produtor deve trabalhar com as ferramentas do mercado futuro para evitar surpresas no momento da colheita'',
Conforme apontam as previsões mais atualizadas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de grãos do Brasil será a maior da história. Deverá superar 132 milhões de toneladas, 11% a mais que na safra 2003/04. A safra de soja deverá atingir o recorde de 61,4 milhões de toneladas, acréscimo de 23,4% sobre 2003/04. A produtividade deverá ser de 2,75 toneladas por hectare próxima do recorde de 2,8 toneladas por hectare, obtido em 2002/03.

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