ArquivoOtimistaO analista Flávio França, que prevê bons preços para a soja, apesar do aumento de área Os produtores de soja devem comercializar a safra 96/97 por um preço 15% acima da média histórica do período. A previsão é que no pico da comercialização, que deve acontecer em março no Paraná e em maio no Rio Grande do Sul, a saca seja negociada a R$ 13,00. A média do período é de R$ 11,00.
A análise é de Flávio França Júnior, consultor da Safras & Mercado, que falou ontem sobre as tendências de mercado da soja no workshop realizado em Curitiba. Apesar do aumento de 5% na área este ano em todo o País relação à safra passada, que deve determinar uma oferta de 3 milhões de t a mais no mercado, os preços devem se manter elevados.
‘‘O excedente de produção deste ano deve ser destinado ao mercado externo, garantindo uma oferta ajustada à demanda no mercado doméstico’’, prevê França Júnior. A produção nacional de soja deve chegar a 26,3 milhões de t contra
23,6 milhões no ano passado.
A retirada do ICMS nas exportações torna o produto nacional competitivo no mercado externo, contribuindo para aumentar as exportações. ‘‘Este ano, os exportadores devem exportar muita soja em grão, reduzindo um pouco as exportações de óleo e farelo’’, prevê.
França Júnior aconselha os produtores a aproveitarem as boas condições de mercado para vender a soja no primeiro semestre. ‘‘No segundo semestre, os preços também devem se manter aquecidos porque é período de entressafra no Brasil, mas a definição do plantio da safra norte-americana pode mexer com os preços’’, observa.
Segundo o analista, o mercado de soja este ano vai funcionar como uma ‘‘bomba-relógio’’, que pode ser desativada ou pode explodir. ‘‘Os preços podem explodir se houver algum problema climático que interfira na safra norte-americana, e podem cair um pouco se for confirmada uma safra cheia nos Estados Unidos’’, prevê.
Segundo França Júnior, todo o mercado de soja ficará atrelado à previsão de plantio do produto pelos agricultores norte-americanos, que deve ser divulgada em abril pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). ‘‘A tendência é de um aumento de área porque os estoques norte-americanos deste ano são os menores desde a safra 76/77 e a taxa de disponibilidade, que indica a relação entre os estoques finais e o consumo total é a menor desde a safra 72/73.

mockup