Preço da soja deve continuar em alta
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Pela primeira vez na história, a safra sulamericana de soja deve passar a norte-americana. A produção da América do Sul deve passar de 78 milhões de toneladas em 2001/02 para 88 milhões de toneladas neste ano. A produção da América do Norte, já toda colhida, foi de 74 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 6% em relação à safra anterior.
Os dados foram apresentados ontem em um seminário sobre soja, realizado em Curitiba, pelo analista da Safras e Mercado, Flávio França Júnior. O Brasil deve responder por mais da metade da safra sulamericana, com 48,5 milhões de toneladas. ''Mas esses números ainda estão em aberto porque a colheita está começando'', observou. Se esse número se concretizar, representará aumento de 12,7% em relação à safra brasileira de soja de 2001/02.
Mesmo com o aumento da produção, a remuneração da atividade deve continuar boa e poderá aumentar até 15% sobre os valores do ano passado, avalia França. Segundo ele, essa alta seria sobre o valor negociado da saca de 60 quilos nos meses de pico de safra, entre US$ 8,5 a US$ 9. ''Os picos distorcivos do ano passado, muito altos, não devem se repetir'', disse.
Em 2002, as exportações do complexo soja somaram 30 milhões de toneladas e devem ser ainda maiores neste ano. Segundo França, cerca de 40% da produção deste ano já foram comercializadas, aproveitando o câmbio alto, quando o normal para essa época do ano é de apenas 20%. De acordo com o gerente geral da Câmara Brasileira de Logística (CBL), Washington Viana, empresa que faz embarques de soja no Porto de Paranaguá, a expectativa é que as exportações aumentem na mesma proporção do aumento de produção.
Para atender aos clientes externos, os exportadores tem procurado cada vez mais a certificação da soja. A CBL, empresa promotora do seminário, possui esteiras independentes que permitem recepcionar de forma segregada a soja no Porto de Paranaguá, garantindo a rastreabilidade.
Viana disse que essa segregação, junto a outras vantagens que o porto oferece, atrairão para o Paraná novos exportadores. O Porto de Santos tem se sobressaído como uma opção para os produtores do Centro-Oeste. ''Estamos criando novas motivações para pequenos e médios exportadores utilizarem o local'', relatou. Segundo ele, o tempo de espera para embarque é em média de seis dias. ''O porto é extremamente rápido e isso gera remuneração, que às vezes compensa o frete maior'', observou. Ele disse que o porto ainda tem bastante capacidade para absorver novas movimentações e armazenagens.


