Preço da soja cai 9% no Oeste do Paraná
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terça-feira, 06 de abril de 1999
Vânia Casado 
As cotações da soja estão em queda livre no mercado internacional e mais ainda no mercado interno. Nos últimos sete dias o preço da saca de soja despencou 9% no Oeste do Paraná. O produto que era comercializado a R$ 16,00 no início da semana passada, caiu ontem para R$ 15,00, informou o analista da Cotriguaçu, de Cascavel, Fernando Muraro. Mas, ontem, empresas esmagadoras como a Coimbra e a Cargill, que estavam comprando soja em Cascavel pagaram R$ 14,50/saca, informou Flávio Turra, da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A queda ainda é consequência da divulgação do relatório do USDA
na quarta-feira, prevendo maior plantio para a próxima safra. Outros fatores como a valorização do real frente ao dólar, de 2,5%, e o aumento da oferta de soja no mercado também estão contribuindo para a baixa nas cotações. Cerca de 60% da produção paranaense, avaliada em 7,5 milhões de toneladas, já estão colhidas.
Para o analista da agência Safras e Mercados, Flávio França Júnior, dificilmente o mercado terá forças para reagir à tendência de queda no preço da soja. Ele justificou que a sinalização de uma safra americana cheia somada à expectativa de safra cheia também na América do Sul formam o pano de fundo do mercado internacional. Com isso as oscilações ficam na dependência das condições climáticas nos Estados Unidos. Para o técnico, somente uma notícia do lado da demanda como a possibilidade de compras internacionais para ajudas humanitárias de áreas em conflito poderia reverter essa tendência, explicou.
Enquanto isso, o fluxo de exportação de soja continua acelerado. Agora, além de se antecipar à desvalorização do dólar os exportadores querem vender antes de acentuar o processo de queda das cotações no mercado internacional. A previsão é que 75% da produção deve ser vendida até maio. Muraro informou que quem já comercializou a produção teve chances de conseguir excelente rentabilidade, beneficiando-se da desvalorização cambial. Na região Oeste, 60% da produção local avaliada em 2,5 milhões de toneladas já havia sido entregue nas cooperativas e vendidas no mercado externo.
Mesmo com as cotações situando-se ao nível de R$ 15,00, Muraro garantiu que os produtores de soja continuam se beneficiando da desvalorização cambial.Não fosse isso, e se o dólar ainda estivesse fixado em R$ 1,24, o produtor estaria negociando a saca de soja por R$ 10,50, comparou.


