Preço da soja cai 2% em uma semana
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de abril de 1998
Vânia Casado 
No final de março e começo de abril os preços das principais commodities oscilaram para o ano inteiro. Não sem razão, porém: além do relatório do USDA apontar aumento nas intenções de plantio de soja e milho nos EUA, o balanço mensal de oferta e demanda do mesmo órgão traz mais uma pressão baixista no mercado internacional da soja. Isso porque o USDA voltou a reduzir a estimativa de exportação para os países asiáticos, passando de 25,9 milhões de toneladas no mês passado para 25,7 milhões de t esse mês. Nos últimos cinco meses a redução na previsão das exportações de soja é de 1 milhão de t.
Para o analista da Cotriguaçu, Fernando Muraro, a revisão das exportações revela que a crise asiática continua atrapalhando o comércio internacional com reflexos em todo o mundo. Aqui no Brasil, a cotação da soja para exportação despencou 5% de março para cá, e 2% na última semana. Ontem, foram fechados negócios para exportação por US$ 13,20 a saca de soja. Há uma semana, os negócios estavam sendo fechados por US$ 13,50 e há um mês, por US$ 14 a saca.
Para o produtor, a queda no preço da venda em balcão também cai na mesma proporção. Há um mês o produtor recebia R$ 13,50 a saca e agora está recebendo R$ 12,80 a saca. Daqui para frente, Muraro admite que pode haver piques de preço em alguns momentos da comercialização, mas os altos estoques mundiais de soja apontam que os preços não vão se manter elevados o ano inteiro.
Outra pressão baixista no mercado de soja, além da crise asiática, são as intenções de plantio dos EUA, que pela segunda vez consecutiva pretende plantar a maior área de sua história, devendo avançar de 28,7 milhões de ha na safra passada para 29,14 milhões de ha na safra 98/99. Para o técnico, essa estimativa somada à supersafra de soja que está sendo colhida na América do Sul, de 46 milhões de t, eleva ainda mais as projeções dos estoques mundiais. Na avaliação de Muraro, com base nesses dados a previsão é que o valor da commoditie não terá fortes reações, salvo comportamento do clima nos EUA até o mês de outubro, que é sempre um fator de especulação.
Apesar da queda de preço, a cotação da soja ainda é superior à média histórica de US$ 11/saca na venda em balcão. Além disso, esse ano o produtor vai sentir realmente os benefícios da isenção fiscal sobre as exportações, afirmou Muraro.Isso porque no ano passado, a explosão nas cotações do grão mascarou o benefício tributário, justificou. Segundo o técnico, está se confirmando a previsão de comercialização lenta para a soja. Até agora foi vendido somente 20% da safra, contra 45% de vendas realizadas no mesmo período do ano passado.


