O preço pago ao produtor pela tonelada de mandioca caiu de R$ 515,49, em janeiro de 2014, para R$ 198,75, no mesmo mês deste ano. O aumento da oferta do produto no mercado, com uma maior produção nas regiões Norte e Nordeste do País, foi um dos principais motivos para a queda do preço. O economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, disse que o preço mínimo foi estipulado pelo governo federal em R$ 170 no ano de 2013 e não teve atualização até agora.
Em função deste cenário, a Faep enviou, na última segunda-feira, um pedido de providências ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), ainda sem repostas. Segundo o documento enviado a Brasília, o aumento da produção tem provocado problemas na comercialização e o valor atual de quase R$ 200 pela tonelada não paga nem o custo operacional de produção que seria de R$ 237,09. Segundo Loyola, em 2014, o País produziu 23,087 milhões de toneladas, volume maior que os 21 milhões de toneladas produzidas em 2013. O economista destacou ainda que a Faep defende a atualização do preço mínimo para a raiz e derivados, ao menos, em 30%, o que elevaria o valor para R$ 221 por tonelada.
A entidade defende ainda a prorrogação dos financiamentos agrícolas do setor sem impedimento para contratação de novos financiamentos. Loyola disse também que atualmente não há um programa de garantia e sustentação de preços, outra medida que é defendida pela Faep.
O documento enviado ao Ministério pede ainda a intervenção do governo para estimular as exportações e abertura de novos mercados para os derivados de mandioca, medida que contribuiria com a balança comercial do País. Segundo Loyola, atualmente, o produto não é exportado.
Outra ação solicitada é a viabilização de recursos na modalidade Aquisição do Governo Federal (AGF) para a compra de 20 mil toneladas de farinha de mandioca e 20 mil toneladas de fécula no Paraná. O economista explicou que, com isso, o governo pode guardar o produto por um tempo e vender na entressafra. Funciona como um estoque regulador de mercado. Outra proposta é a aquisição de 5 mil toneladas de derivados e de 10 mil toneladas de farinha de mandioca para a merenda escolar e compra institucional.
Segundo ele, essas medidas ajudariam a manter em atividade 70 indústrias de farinha, somente no Paraná e 58% do parque industrial nacional de fécula de mandioca. Loyola destacou ainda que o Estado é o segundo maior produtor nacional de mandioca só perdendo para o Pará. No ano passado, o Paraná produziu 3,815 milhões de toneladas deste produto e o Pará 4,874 milhões de toneladas.

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