Preço da gasolina pode ter novo reajuste este ano
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terça-feira, 13 de agosto de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O consumidor pode ser surpreendido com um novo aumento da gasolina neste ano se depender dos recentes resultados financeiros que tem apresentado a Petrobras. Ontem o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o preço do combustível está defasado e que o governo examina o pedido da companhia para realizar um novo reajuste no preço do produto.
"A Petrobras está reivindicando elevação dos seus preços, até porque eles estão muito defasados. Eles não têm realizado aumentos regulares de preços, mas episódicos", disse o ministro. Segundo ele, é preciso examinar o pedido da empresa, o que já está sendo feito pelo Ministério da Fazenda, pelo Conselho de Administração da Petrobras e pelo próprio Ministério de Minas e Energia.
"Para os postos de combustíveis um aumento seria péssimo porque traria queda de vendas", disse o diretor do Sindicombustíveis-PR, Dinho Sprenger. Segundo ele, caso o reajuste aconteça, a pauta do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) que hoje no Paraná é de R$ 2,93 também ficaria mais alta. Atualmente, este tributo é de 28% sobre os R$ 2,93, o que significa R$ 0,83 por litro.
Sprenger acredita que a decisão de aumentar o preço da gasolina não vai ser apenas técnica, mas política pensando também no impacto que isso terá na inflação. Em janeiro, o governo federal já tinha reduzido o valor da energia elétrica para tentar conter o índice inflacionário.
O diretor da PUC-PR em Londrina e consultor financeiro, Charles Vezozzo, disse que, se de um lado o aumento da gasolina resolve a questão da Petrobras, do outro reflete diretamente e indiretamente na inflação. "O grupo transportes que faz parte do índice inflacionário tende a subir", afirmou. Segundo ele, um reajuste da gasolina também teria reflexos no frete e nos preços do transporte escolar, por exemplo. Vezozzo disse ainda que há situações nas quais é preciso aumentar os combustíveis para equalizar a situação da Petrobras.
O último aumento autorizado pelo governo foi em janeiro deste ano, de 10,5% para o diesel e 6,6% para a gasolina, mas a defasagem do preço praticado pela empresa no mercado interno e os preços praticados no mercado internacional seriam de cerca de 15% para ambos os combustíveis.
A alavancagem da companhia, que mede endividamento líquido sobre a capitalização líquida da empresa atingiu no segundo trimestre de 2013 o patamar de 34%, bem perto do limite estipulado pela própria empresa, de 35%. No primeiro trimestre do ano, o índice era de 31%. No segundo trimestre de 2012, era de 28%. O endividamento líquido da companhia aumentou de R$ 150,7 bilhões no final do primeiro trimestre do ano para R$ 176,3 bilhões no final do segundo trimestre.
Sprenger acredita que o aumento é necessário para a Petrobras. Segundo ele, nem a decisão do governo de direcionar a Cide (imposto sobre combustíveis) para o caixa da estatal ao invés de ir para o governo federal trouxe o resultado esperado.
Os consumidores não gostaram da notícia do possível reajuste do combustível. "Um aumento da gasolina seria um absurdo. Deveriam melhorar a administração da Petrobras e do governo federal, mas é mais fácil repassar para o consumidor", disse o consultor comercial, Marcelo Marcolini. "Acho um exagero o aumento agora, não tem necessidade porque o preço já está caro", disse o mecânico, Ney Teixeira.

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