Preço da gasolina mobiliza consumidor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Um dia antes da realização de um boicote ao consumo de combustíveis por causa dos preços abusivos praticados em Londrina, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná deve homologar hoje a concessão de habeas-corpus ao empresário Ariovaldo Ferraz de Arruda, dono do Posto Esperança, que estava com a prisão preventiva decretada por suspeita de crime contra a ordem econômica (cartel); formação de ajuste e acordo de empresas, prejudicando a concorrência e fixação de preços dos combustíveis.
Uma liminar, concedida no final do ano passado, já havia suspendido o pedido de prisão. O julgamento de hoje, na 1 Câmara Criminal, deve confirmar a decisão. A justificativa para a suspensão é que a juíza Oneide Negrão, que decretou a prisão, não tem condições de julgar o caso com imparcialidade pois teria concedido entrevistas afirmando não existir dúvidas sobre o crime. Ela já foi afastada do processo.
O documento, agora, está sob responsabilidade do juiz substituto Álvaro Rodrigues Junior. Ele informou que o TJ acolheu a excessão de suspeição contra a juíza e declarou a nulidade do todo o processo desde a data de recebimento da denúncia. Em razão disso, o juiz recebeu a denúncia novamente e designou datas para novo interrogatório dos acusados. ''Começou tudo de novo'', afirmou.
Apesar de tantas reviravoltas no caso, consumidores de Londrina parecem não ter dúvidas sobre a existência de irregularidades na comercialização dos combustíveis. Uma rede de e-mails que circula pela cidade conclama todos os consumidores a manifestarem seu descontentamento amanhã, deixando de abastecer seus veículos por um dia.
''A gasolina em Londrina é uma das mais caras do Brasil. Os donos de postos enfrentam a promotoria, o bom senso e o respeito ao cidadão. Propomos um boicote aos postos de combustíveis da cidade'', diz uma parte da mensagem. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina praticado em Londrina foi R$ 2,36 na semana passada.
O fisioterapeuta Gilmar Cacione está disposto a aderir ao boicote e vai passar longe dos posto durante todo o dia. Inconformado com o preço do álcool, ele conta que há menos de seis meses gastava R$ 10,00 semanais com combustível, e hoje gasta R$ 30,00. ''Não tenho mais condições de encher o tanque'', reclamou.
Para o fisioterapeuta, a pouca variação de preço entre os postos atesta a existência do cartel. ''O Ministério Público deve ficar mais atento, pois todos sabemos quem são os culpados'', comentou.
Outra adepta do boicote é a professora universitária Magali Kleber. ''A sociedade tem que manifestar seu descontentamento de alguma forma'', opinou, acrescentando que o consumidor acaba pagando mais caro pelo combustível sem ter acesso a informações claras sobre as causas dos aumentos.
Como utiliza o carro para trabalhar, Magali não consegue reduzir o consumo de gasolina. ''Esse preço está fazendo um rombo no meu orçamento. Vou ter que repensar o uso do carro'', disse.


