Preço da gasolina em Londrina chega a R$ 2,09
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A única maneira do motorista londrinense reduzir sua despesa com combustível é andar a pé. Os postos da cidade utilizam, praticamente, a mesma tabela de preços. Ontem, o preço do litro da gasolina variava de R$ 2,07 a R$ 2,09 e o do litro do álcool entre R$ 1,22 e R$ 1,24, segundo apurou a reportagem da Folha em várias regiões da cidade.
Há uma semana, o governo anunciou um reajuste de 16% no álcool anidro mas, poucos estabelecimentos começaram o mês com tabela nova. A maioria deles recebeu a mercadoria a partir de terça-feira. Mesmo assim, nenhum empresário percebeu a corrida de motoristas aos postos. ''Normalmente, as vendas crescem entre os dias 5 e 10 de cada mês por causa do pagamento dos salários'', disse o gerente de um posto de combustível localizado na saíde de Londrina para Cambé (zona oeste).
Segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), realizada na última semana de agosto, o preço médio da gasolina na cidade era de R$ 2,03 enquanto em Maringá era R$ 1,76, Paranavaí R$ 1,85 e Curitiba R$ 1,94. Nas mesmas cidades, o litro do álcool custava, em média, R$ 1,12; R$ 0,94; R$ 1,02 e R$ 1,10, respectivamente. ''No final de semana, não saímos mais de carro porque fica muito caro. Então, sempre alguém é obrigado a ficar em casa'', disse o motoboy Adauto Mendes Filho que gasta R$ 21,00/dia para abastecer sua motocicleta movida a gasolina.
Para o dono do Auto Posto Santa Cruz, Eduardo Tomasetti, o motivo da diferença de preços entre Londrina e Maringá está na origem. Ele afirma que as distribuidoras de Londrina vendem o produto mais barato para Maringá para concorrer com as pequenas distribuidoras daquela cidade que sonegam impostos e adulteram combustível. ''Isso sem falar que o número de postos para cada veículo em Maringá é, proporcionalmente, menor que em Londrina. O resultado é um concorrência maior e mais vantajosa para os consumidores'', alegou.
O comerciante de sorvetes Wladimir Alves da Veiga, que há menos de um ano se mudou de Guarapuava para Londrina, acredita que o responsável por essa situação é o governo que cobra muitos impostos dos empresários. Para ele, a redução da Cide, por exemplo, diminuiria o preço do litro do combustível.
De acordo com um dono de posto que não quis se identificar, outro grande problema que o setor enfrenta é a pressão dos usineiros que, praticamente, impõem o valor do álcool. ''Um exemplo dessa força foi a falta de álcool registrada em Londrina no final do ano passado. Naquela época, o litro desse combustível chegou a R$ 1,59'', lembrou.


