Cláudia Lopes
De Londrina
O preço da gasolina tem gerado confusão no mercado paranaense, já que as entidades do setor utilizam fórmulas diferentes para calcular o que consideram ‘‘um preço razoável do produto’’. Enquanto a Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgou, no início do mês, um estudo no qual leva em conta que o preço justo do litro nos postos de Curitiba é de R$ 1,16, a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) trabalha com um preço razoável de R$ 1,11.
O Sindicombustíveis do Paraná, que não aprova nenhuma das duas avaliações anteriores, considera como margem de lucro razoável R$ 0,17 por litro. Como as distribuidoras vendem o produto por R$ 1,10, o preço nos postos curitibanos deveria ser de R$ 1,27, segundo o sindicato.
Com toda esta polêmica, quem mais perde é o consumidor que não sabe o quanto realmente deveria estar pagando e qual é a margem real da refinaria, distribuidores e postos, na opinião do presidente do Sindicombustíveis-PR, Roberto Fregonese.
Ele admite, porém, que os donos de postos do Estado estão trabalhando de forma errada ao basear o preço de suas bombas na dos concorrentes. ‘‘A melhor forma de calcular o preço adequado é através da planilha de custo da revenda. Com tamanhos e números de funcionários diferentes, os postos não deveriam operar com os mesmos preços como vêm acontecendo ultimamente’’, disse Fregonese.
Em Curitiba, a maioria dos postos está vendendo o litro da gasolina por R$ 1,19 e, em Londrina, por R$ 1,32. Pela avaliação de Fregonese, os postos curitibanos deveriam aumentar seus preços, e os londrinenses, diminuir.
O diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, José Conrado de Souza, defende reduções nos preços nas duas cidades. ‘‘O litro de gasolina deveria custar R$ 1,11 tanto em Curitiba como em Londrina’’, afirmou. Para chegar ao valor, o engenheiro aplicou uma margem de lucro de 18% sobre o preço da Petrobrás que, segundo ele, seria de R$ 0,94 o litro. Com esta margem, dá para distribuidores e revendas lucrarem bem’’, garantiu.
O preço da Petrobrás divulgado pela ANP na Internet é de R$ 0,972. ‘‘Mas a Agência está trabalhando com o preço do álcool anidro, que é misturado a gasolina comum, a R$ 0,32. Na verdade, os usineiros conseguem vender o produto por no máximo R$ 0,22’’, disse Souza. ‘‘Isso reduz o preço final da gasolina’’.
Para Souza, a única forma de ‘‘arrumar’’ o mercado seria o estabelecimento de bandas no setor. ‘‘Os preços não poderiam ultrapassar um limite fixado pela ANP’’, opinou. ‘‘Nos Estados Unidos, as distribuidoras e revendas têm uma margem de lucro de 6%. Lá, o litro de gasolina custa US$ 0,29. No Brasil, a margem é quase cinco vezes maior’’. Pelos números da ANP, o valor estimado de margem bruta das revendas é de R$ 0,11.
Fregonese reclama que os cálculos da ANP e da AEPET foram feitos sem critérios. ‘‘Como a Agência pode considerar uma margem de R$ 0,11 se, quando o preço era tabelado em 94, ganhávamos R$ 0,09’’, questionou. ‘‘Em cinco anos a carga tributária dobrou, tivemos cinco dissídios coletivos e a energia subiu mais de 300%. Não dá para ganhar só R$ 0,02 a mais’’.

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