O preço da gasolina nos postos de combustíveis chegou ontem aos R$ 2,99 em Londrina. Com o reajuste de 6,6% para o combustível e de 5,4% para o diesel anunciado pela Petrobras na noite anterior, os aumentos na bomba variaram de 2% a 7% em pesquisa feita pela FOLHA em dez postos. A expectativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é de que a variação fique em 4,4% para o consumidor, mas, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) do Paraná, ainda há uma confusão sobre os percentuais de repasse que deve durar até a semana que vem.
O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, disse que esperava um aumento entre R$ 0,10 e R$ 0,12 nas bombas, mas não foi o que ocorreu. Em pesquisa por telefone com postos londrinenses feita na tarde de ontem, sete já haviam reajustado os preços para valores entre R$ 2,84 e R$ 2,99. Três ainda mantinham os valores antigos, mas proprietários e gerentes disseram que o custo deveria ser repassado até hoje.
Para Fregonese, o motivo é que ontem foi dia de ajustes de preços e há confusão em relação ao aumento. "Algumas distribuidoras fazem o repasse integral, outras, parcial, e é algo que só deve se resolver lá por segunda-feira", disse. Ainda, há a questão da mistura de etanol anidro na gasolina, hoje em 20%, o que justifica a previsão de Mantega de que os postos devem repassar 4,4%. "A competição vai ser importante neste momento", afirmou Fregonese.

Petrobras
Com defasagem no preço da gasolina de 15%, conforme a Petrobras, o reajuste diminui os prejuízos da estatal, que importa o combustível a preço superior ao que revende no País. Para o presidente do Sindicombustíveis, o aumento corrige um pouco a diferença o que, em médio prazo, pode ser resolvido pela migração de consumo da gasolina para o etanol.
Mas há ainda a preocupação com a inflação no País. O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirmou que o impacto deve ser generalizado, já que toda a cadeia produtiva tem custo de transporte. Porém, ele vê o governo em uma equação complicada, já que precisa conter a inflação, mas não pode descapitalizar a Petrobras, que corre o risco de ficar sem recursos para investir na produção.
Por isso, Staviski vê relação entre as medidas tomadas nos últimos dias, como redução no preço de energia de 18% para consumidores e de 32% para a indústria, além da desvalorização do dólar. "O governo favorece o câmbio para estabilizar a inflação, apesar de ter impacto negativo para a exportação do setor produtivo", afirmou, ao lembrar que a redução no custo da eletricidade reduz um pouco a perda.

Etanol
O superintendente da Associação dos Produtos de Bioenergia do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias, disse que o etanol também deve sofrer reajuste, mas voltará a ser mais atrativo do que que a gasolina. Ele disse que os produtores sofreram com a falta de margem de lucro devido ao preço subsidiado pela Petrobras. "O teto de 70% (para o preço do biocombustível em relação à gasolina) sobe e o etanol volta a ser competitivo."
Outra possibilidade é que, como os preços do açúcar estão em baixa no mercado internacional e há expectativa de aumento da produção de cana-de-açúcar neste ano, ocorra uma estabilização no valor em médio prazo. "Se aumentar oferta, no mínimo, mantém preço igual", contou. Dias lembrou ainda que o governo planeja elevar a mistura do biocombustível na gasolina de 20% para 25% em abril, o que pode diminuir o preço do combustível e contribuir para a redução das importações de gasolina da Petrobras. "Levamos proposta ao governo para antecipar a mudança já para fevereiro", disse, ao lembrar que há estoque de etanol para isso.

Imagem ilustrativa da imagem Preço da gasolina chega a R$ 2,99 em Londrina
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