O preço do litro da gasolina vai cair R$ 0,04 a partir de amanhã em Londrina. A queda no custo é fruto de um acordo firmado ontem entre a Promotoria Especial de Defesa do Consumidor, os proprietários de postos de combustível e o sindicato da categoria. A diferença de preços será repassada aos consumidores devido ao aumento de 20% para 23% da mistura de álcool anidro na gasolina. Com isso, o preço médio praticado na cidade - de R$ 2,56, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo - deverá cair para R$ 2,52. Já o preço do litro do álcool não deverá ter alteração.
A reunião para discutir os preços dos combustíveis em Londrina, realizada no Tribunal do Júri, contou com a participação de 87 proprietários de postos. O encontro foi convocado pelo Ministério Público (MP) que, no ano passado, instaurou procedimento investigatório para averiguar a movimentação de preços e o mercado de combustíveis da cidade. Apesar da queda de preços que beneficia o consumidor, o resultado foi bem diferente do que chegou a almejar o promotor Miguel Sogaiar durante a discussão. Ele propôs a fixação de uma margem de lucro de até 12% para a gasolina e de 20% para o álcool aos donos de postos. A sugestão foi rejeitada categoricamente pelos empresários.
A proposta do promotor foi amparada em um estudo técnico realizado por auditores do MP com base nas notas fiscais de compra apresentadas pelos proprietários de postos de combustíveis. Conforme o levantamento, Londrina tem um dos maiores custos da gasolina e do álcool do Paraná e o menor desvio padrão (diferença entre o maior e o menor preço). ''Essa combinação (de preços altos e baixo desvio padrão) é muito perigosa porque, em tese, há enquadramento na lei 8.137, que regula as relações de consumo. Em tese, já temos uma situação real para a abertura de um inquérito policial'', disse o promotor.
Mesmo assim, a proposta do MP não é muito diferente da situação do mercado. De acordo com o estudo da promotoria, em maio a margem de lucro praticada pelos postos era de 12,98% no preço da gasolina (a 6 maior do Estado); em junho esse índice caiu para 11,99% (a 16 mais alta do Paraná). Já no preço do litro do álcool, a lucratividade dos postos ficou em 23,52% sobre o custo ao consumidor em maio e 20,81% em junho. Ainda conforme o estudo a diferença de preços do álcool e da gasolina entre a maioria dos postos é de apenas R$ 0,04.
''Não aceitamos a fixação da margem de lucro porque as condições de compra de combustível não são iguais para todos os estabelecimentos'', frisou Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis.
''Desconto'' - Inicialmente, a redução dos preços ao consumidor que deverá ser posta em prática a partir de amanhã deverá ser bancada pelos proprietários dos estabelecimentos. A categoria alega, inclusive com as notas fiscais de compra, que as distribuidoras ainda não repassaram essa queda no custo. ''Se as distribuidoras não reduzirem os preços até sexta-feira (amanhã) faremos uma denúncia formal ao Ministério Público e também iremos entrar com uma ação judicial contra elas'', afirmou Fregonese.
''O resultado foi um avanço, é um aceno aos consumidores de que a situação vai melhorar. Uma batalha judicial poderia não trazer resultados tão cedo para a população. É uma tentativa boa e mostra boa vontade dos proprietários de postos'', salientou Sogaiar.

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