Preço da farinha reage e beneficia o Paraná
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terça-feira, 23 de junho de 1998
Vânia Casado 
Depois de três anos amargando prejuízos e trabalhando com a metade da capacidade instalada, as farinheiras do Paraná estão operando num ritmo frenético. O motivo da reação é a seca no Nordeste. As farinheiras do Paraná que abastecem os mercados do Rio de Janeiro e São Paulo, agora atendem também ao Nordeste cuja demanda é elevada.
Com isso, o preço da farinha reagiu e as farinheiras do Centro-Sul estão recebendo entre R$ 12,00 a R$ 14,00 a saca de 50 quilos, o que dá uma média de 70% acima do preço mínimo (R$ 7,70). Além da farinha, a cotação da raiz da mandioca também está acima do preço mínimo, destacou o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Amidos de Mandioca, Ivo Pierin Júnior.
A defasagem entre o preço mínimo da raiz (R$ 25,00/t), e o custo de produção (R$ 37,50 a t), é de 50%, calcula Pierin. Algumas indústrias estão pagando entre R$ 40,00 e R$ 50,00 a t de raiz, afirmou o técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Methódio Groxco. Segundo ele, está havendo uma disputa pela matéria-prima.
Para Pierin, a defasagem entre a cotação de mercado e o preço mínimo restringe a produção de mandioca na região Centro-Sul. Isso porque os financiamentos de custeio são calculados pelos bancos sobre o preço mínimo fixado. Dessa forma, o valor recebido no custeio é insuficiente para o plantio, avaliou. Outro fator negativo é a possibilidade de queda nas cotações de mercado da raiz. Se os produtores tiverem que receber o preço de garantia, caso ocorra uma redução acentuada nos preços, o setor quebra, advertiu Pierin.
Pierin justificou que o estímulo à produção poderia gerar excedentes exportáveis, onde as indústrias de fécula poderiam conquistar o mercado internacional que hoje gira entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. Atualmente as indústrias nacionais participam apenas de 1% desse mercado. O empresário acredita também que o excedente de farinha deve ser colocado no mercado internacional.


