Curitiba - Desde que o dólar está em queda livre, o preço da farinha de trigo vendida pelos moinhos já despencou quase 30%. Mas a redução do valor ainda não chegou ao consumidor, que continua pagando caro pelos derivados do trigo. O pacote de farinha que, no auge do aumento do dólar, chegou a ser vendida por R$ 72,00 a saca de 50 quilos, atualmente custa R$ 50,00, informou Laurence Pih, dono do Moinho Pacífico, de São Paulo.
De acordo com o empresário, os moinhos não seguraram o preço da farinha no alto, como estão fazendo outros setores da cadeia produtiva, para evitar a concorrência com o produto argentino. Os moinhos brasileiros rejeitam essa concorrência porque a farinha argentina tem mais competitividade em função da falta de impostos. Enquanto a exportação do grão é taxado em 20% no país vizinho, o imposto para a farinha é de 5%. ''É difícil concorrer um com um produto que leva quase 15% de vantagem só de tributos'', disse Pih.
Com a queda no preço da farinha e a ameaça da importação do similiar argentino, o dono do Moinho Pacífico acredita que os moinhos terão dificuldades em comprar o trigo nacional. O governo estabeleceu o valor de R$ 400,00 a tonelada -o preço mínimo para o trigo comprado na região Sul e Sudeste - e R$ 450,00 para o cereal adquirido nas regiões do Cerrado.
Pih disse que o preço mínimo para o trigo está de acordo com o cenário vigente no segundo semestre do ano passado, em que o câmbio foi quase a R$ 4,00 e as importações estavam proibitivas. ''Não é o que deverá acontecer este ano'', prevê. Ele calcula que haverá uma superprodução do cereal na Argentina, cujo excedente o País terá que negociar de acordo com os patamares vigentes no mercado externo, onde já está havendo uma concorrência acirrada entre os países produtores.
Por conta disso, o empresário calcula que o preço do trigo pode cair para US$ 100 a tonelada ou, se for considerado um cenário mais pessimista, para US$ 120. Com o dólar em baixa, certamente os moinhos vão novamente optar em importar o trigo argentino ao invés de comprar o produto nacional, disse.

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