Preço da cesta básica sobe menos
Depois de ultrapassar o valor bruto do salário mínimo (R$ 200), o ritmo de alta do preço da cesta básica do paulistano já começa a dar sinais de desaceleração. A taxa de variação semanal, que nos últimos dois meses havia chegado a 3,3%, recuou para 0,98% na semana passada, segundo pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
''Esta desaceleração no ritmo de altas deve ter algum reflexo nos índices de inflação nas próximas semanas'', diz a coordenadora da pesquisa de preços do Dieese, Cornélia Nogueira Porto. Ela acredita que, a partir de janeiro, os preços devem para de subir e até cair um pouco.
A economista pondera que o comportamento da cesta básica é um sinalizador de tendência dos índices de preços ao consumidor (IPCs), mas de forma amplificada, devido à quantidade de produtos pesquisados. Enquanto o Procon-Dieese pesquisa apenas 22 produtos alimentícios, o grupo Alimentação do IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), por exemplo, inclui mais de 100 produtos. Além dos alimentos, a cesta básica do Procon-Dieese é composta por 4 produtos de limpeza doméstica e 5 artigos de higiene pessoal.
Nos últimos seis meses, o custo médio da cesta subiu 29,24%, pressionado pela alta do dólar, da entressafra agrícola e da elevação dos preços internacionais das commodities. Os alimentos lideraram as altas, com variação de 34,48%, seguidos pelos artigos de limpeza (14,17%) e de higiene (6,81%). Entre os produtos mais afetados estão o óleo de soja, a farinha de trigo e o açúcar refinado. A farinha, que depende do trigo importado, teve o preço elevado em 78,25%. O óleo de soja apresentou aumento de 85,71%, enquanto o açúcar ficou 75,53% mais caro. Embora produzidos no País, tanto a soja quanto o açúcar têm seu preço cotado em dólar.
O frango resfriado também foi afetado de forma significativa, com alta de 63,96% em apenas seis meses. Como a ração da ave é composta de soja e milho, commodities com cotação no mercado internacional, os produtores alegam que a desvalorização do real frente ao dólar elevou o custo de produção. Da mesma forma, o preço dos ovos subiu 46,05% nesse período. Na sexta-feira, o preço da cesta básica estava em R$ 200,22.(A.E.)





