São Paulo - A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) atribuiu parte da surpresa com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da terceira quadrissemana de março ao impacto ainda comedido da desoneração da cesta básica nos preços. A Fipe projetava deflação de 0,23%, mas o IPC do período acabou mostrando queda de 0,18%. "Esperávamos que a inflação de Alimentação recuasse, mas acelerou por causa dos in natura e do impacto da cesta básica, que esperávamos para agora, mas a lista dos produtos desonerados não está ajudando tanto", disse o coordenador do IPC, Rafael Costa Lima.
Na lista de 11 produtos desonerados que fazem parte da cesta da Fipe, o alívio de R$ 2,48 (ou 2,79%) visto entre a primeira e a segunda semana de março, agora foi reduzido para R$ 0,19 (ou 0,21%). "Os empresários ainda não conseguiram repassar o benefício. Não sabemos quando isso vem, vamos continuar acompanhando", afirmou Costa Lima. Os preços ponderados de alguns itens chegaram a recuar na segunda semana, mas voltaram a subir, como é o caso do café em pó (500 g) que havia caído 3,72% mas agora avançou 0,07%; ou reduziram o ritmo de queda - um exemplo é margarina (500 g), de -2,14% para -1,60%. Mesmo algumas carnes, que estão em período de safra, apresentaram comportamento menos favorável. A deflação de coxão mole (kg) passou de 3,81% para 0,76% e a do frango (kg), de 3,92% para 2,80%.
Dentro do IPC, Alimentação subiu 0,68%, ante 0,64% na segunda quadrissemana, enquanto a expectativa da Fundação era de uma alta menor, de 0,26%. "Vamos ver se realmente virá esse efeito (da cesta). Acredito que é mais uma questão de tempo. O governo certamente vai cobrar dos empresários, pois está abrindo mão de uma receita importante. Ficaria surpreso se o governo não se importasse com essa falta de repasse do benefício", disse Costa Lima.
Outra surpresa desagradável para a Fipe foi a aceleração dos preços dos produtos in natura, de 2,84% para 3,28%. Dentro desse subgrupo, Costa Lima afirmou que quase tudo esteve em ascensão entre a segunda e a terceira quadrissemanas de março: frutas (0,99% para 1,49%); legumes (6,14% para 8,49%), com destaque para tomate que avançou 12,67% nesta apuração e em 12 meses até fevereiro acumula alta de 75,01%; e tubérculos (7,06% para 8,21%). As exceções foram verduras (-5,17% para -6,31%) e ovos (8,59% para 7,33%).
Nos demais subgrupos de Alimentação, os industrializados arrefeceram de 0,67% para 0,54% e os semielaborados continuam em queda (-0,63% para -0,62%), ainda favorecidos pelo recuo nos preços de carnes bovinas (-2,42% para -2,22%). Alimentação fora do Domicílio avançou de 0,70% para 0,92%.
A postura mais cautelosa em relação aos efeitos da desoneração da cesta básica sobre os preços contribuiu para que a Fipe revisse sua estimativa de IPC no fechamento de março, de -0,26% para -0,20%. Se confirmada a deflação de 0,20% em março, o IPC acumulado em 12 meses passará de 5,91% para 5,60%. Para o fechamento de 2013, a expectativa de 5,00% para o IPC foi mantida.

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