Preço da cesta básica em Londrina passa de R$ 700 em maio
Pesquisa calculou em R$ 721,31 o preço da cesta no mês passado, alta de mais de 6% sobre abril; banana, batata e tomate tiveram maiores reajustes
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segunda-feira, 01 de junho de 2026
Pesquisa calculou em R$ 721,31 o preço da cesta no mês passado, alta de mais de 6% sobre abril; banana, batata e tomate tiveram maiores reajustes

A cesta básica em Londrina subiu mais de R$ 40 entre abril e maio e terminou o mês passado acima dos R$ 700. A alta repentina dos hortifrutis, decorrente das condições climáticas, é apontada como o principal motivo para o aumento de mais de 6% no conjunto dos 13 itens que compõem a cesta. No acumulado do ano, a cesta já subiu mais de 13%.
A pesquisa sobre a variação do valor da cesta básica em Londrina, realizada mensalmente pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), calculou em R$ 721,31 o valor da cesta básica em maio, uma alta de 6,13% sobre abril, quando a mesma cesta havia sido cotada a R$ 679,67.
"No acumulado do ano, o aumento já chega a 13,4%, bem acima da inflação do período", avaliou o economista e coordenador do NuPEA, Marcos Rambalducci. Em 1º de janeiro, a cesta básica custava R$ 636,10.
Da lista de 13 produtos, apenas quatro aumentaram de preço, mas a alta computada em cada um deles foi significativa. A maior, da banana, foi de 66,4%. Com as temperaturas mais baixas, a oferta da fruta diminui no mercado, o que explica o reajuste. Mas também chamam a atenção os aumentos na batata (48,5%), no tomate (37,2%) e no feijão (13,4%).
Embora a carne seja o item de maior peso na composição do valor da cesta básica - neste mês, o produto representou 41% do preço final - em abril a proteína baixou 5,9%.
Além da carne, outros sete alimentos ficaram mais baratos no mês passado. A maior redução foi observada no café (-13,6%), seguida da farinha de trigo (-9,4%) e da margarina (-7,9%).
Completam a lista dos itens que tiveram variação negativa o açúcar (-5,9%), o arroz (-4,0%), o leite (-3,5%) e o óleo de soja (-2,6%). O preço do pão, que registrou queda de apenas 0,2%, foi considerado estável.
O que a pesquisa mostrou no dia 31 de maio já vinha sendo constatado ao longo do mês pelos consumidores, que tentam organizar as contas da casa para encaixar os aumentos no orçamento doméstico.
A aposentada Olanda Rosa Alves não deixa de comprar os produtos de que gosta em razão do aumento, mas todos os meses tenta esticar o dinheiro. "Minhas netas não gostam muito de feijão, mas os netos gostam. Batata e tomate todo mundo adora, não dá pra deixar de levar. O problema é que o reajuste na aposentadoria não acompanha o aumento dos preços no supermercado. Fica difícil."
"Eu venho sempre à feira e estou vendo tudo aumentar e a cada vinda, o gasto é maior. Diminuo a quantidade e economizo na qualidade também. Se não, não dá pra comprar tudo o que precisa", disse o aposentado Sinvaldo Vieira.
Na barraca do feirante Lair Fávaro, a batata aumentou 100% em um intervalo de três meses. O preço do quilo do tubérculo subiu de R$ 5 em fevereiro para R$ 10 em maio. A remarcação de preço foi necessária para acomodar a alta praticada na Ceasa. "A saca (de 25 quilos) custava R$ 25 e foi para R$ 170", comentou. "O tomate subiu mais ainda. A caixa (de 20 quilos) custava R$ 25, agora está R$ 200."
"O problema foi a chuvarada. Essa batata vem da região de Guarapuava (Sudoeste) e o clima atrapalhou", disse Fávaro. "Mas o pessoal não deixa de comprar porque todo mundo gosta. O pessoal pensa que é caro, mas não é. Vai plantar para ver quanto custa."
Dono de uma barraca de hortifruti na feira, Márcio Lopes calcula em cerca de 40% o aumento no preço da batata entre abril e maio em razão da sazonalidade. O tomate passou de cerca de R$ 5,90 o quilo para mais de R$ 13. "É o clima. Chove e a batata estoura o preço. Normalmente é assim. Muitos outros legumes são assim também. Pepino, abobrinha, choveu, o preço dispara. O pessoal compra menos."
Para contornar a alta, o feirante vende os produtos por bacia, com valor fechado de R$ 5. Por esse preço, os fregueses levam cerca de quatro a cinco tomates para casa. "O preço do quilo está muito acima do normal na Ceasa", justificou o feirante.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


