O preço da cesta básica teve redução de 4% em Londrina saindo de R$ 606,19, em abril, para 582,03, em maio. Esse percentual de queda leva em consideração os preços de 11 supermercados da cidade, e foi divulgado pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas), que é mantido pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).

O coordenador do NuPEA, Marcos Rambalducci, lembra que a cesta básica havia tido uma elevação da ordem de 8,9% de março para abril. Agora, parte desse percentual foi compensado.

“Esse aumento que tivemos foi muito em decorrência das chuvas que acabaram afetando a oferta de hortifrutigranjeiros. Com isso, tivemos redução na oferta e aumento dos preços no supermercado", observa.

Em maio, com um tempo mais estável, houve a normalização da oferta desses alimentos nas gôndolas - a banana teve queda de 24% e a batata, de 10,6%. Além disso, o óleo de soja, que vinha sendo um vilão na inflação desde o ano passado, voltou a ter preço semelhante ao praticado há dois anos, com uma redução de 15,9%.

Rambalducci indica que, para este mês, pode ser observada uma nova queda de 4%, o que manteria a cesta básica com valor semelhante ao de março. Isso porque não é esperado nenhum impacto climático, os combustíveis tiveram redução nos preços e o dólar tem se mantido “comportado”.

“Quando você tem um preço muito elevado dos alimentos, principalmente para aquelas classes de renda mais baixa, isso impacta sobremaneira a composição do orçamento. Se a pessoa está dando 40% ou 50% do salário em alimentos, e de repente se vê obrigada a gastar 55% ou 60%, ela vai ter que tirar de alguma outra coisa”, afirma ele, pontuando que o mercado varejista é o que mais sofre.

“Quando você tem redução, significa que as pessoas vão poder dedicar uma parcela maior da sua renda para outras destinações, isso movimenta todo o mercado varejista. Você vai ter mais gente frequentando cinemas, mais gente comprando nas lojas, mais gente frequentando lanchonetes e restaurantes. Tudo isso cria uma dinâmica muito positiva para a economia.”

EMPREGO

O NuPEA também apresentou uma pesquisa sobre o cenário do emprego formal em Londrina e região, com base no Caged (Cadastro-Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego) de abril.

De forma geral, todos os setores da economia londrinense terminaram no azul, com destaque para Comércio (+90 vagas) e Serviços (+147). No total, a cidade teve um saldo de 300 novos postos com carteira assinada (resultado das 8.071 admissões e 7.771 demissões).

Apesar disso, o município vem observando uma redução na geração de emprego formal. Afinal, foram 1.700 vagas em março e 509 em abril. De acordo com Rambalducci, fica claro que o setor de Serviços, que foi o último a se recompor no pós-pandemia, está “ocupando os vácuos” que ficaram nesse período. Mas isso tem um limite.

“Estamos percebendo que essas recuperações nos postos de trabalho se deram muito em cima da prestação de serviços. Mas, uma vez ocupado o vácuo, você não mais como crescer de maneira muito substantiva nos Serviços”, avalia o coordenador.

Em relação aos outros setores, Rambalducci diz que há preocupação com a Indústria, já que é o grande puxador de empregos, e com a Construção Civil, que ainda está aquém e não recuperou o desempenho do ano passado.

“A consequência é que em maio nós devemos zerar, empatar. E deve ser mais ou menos essa a tendência, embora Londrina tenha sempre se saído muito bem na geração de postos de trabalho”, destaca ele, citando a atuação do poder público e a reconciliação do setor privado com o sistema produtivo e as vendas. “Não vejo o PIB crescendo nos próximos trimestres aquilo que cresceu no primeiro trimestre. E isso vai, claro, redundar em menor criação de postos de trabalho com carteira assinada.”

Na RML (Região Metropolitana de Londrina), Cambé (-38) e Ibiporã (-16) fecharam abril no vermelho. Rolândia (+148) e Arapongas (+118) tiveram resultado positivo na geração de vagas de emprego.