Imagem ilustrativa da imagem Preço da cesta básica cai 3,2% em Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro
A boa notícia para o consumidor é que o preço do litro do leite, que já teve queda de 21% no último mês, vai cair mais
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Puxado por batata, leite e feijão, o preço da cesta básica caiu 3,2% em agosto ante o mês anterior, em Londrina, conforme levantamento divulgado ontem pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Os três produtos estavam muito inflacionados devido à menor oferta por problemas climáticos no campo, mas a escassez diminuiu no mercado no mês passado.
Ainda que continuem com valor acima do normal, a diferença nos três itens foi responsável por diminuir o preço total do pacote de alimentos mesmo que nove de 13 produtos pesquisados tenham ficado mais caros em 30 dias. A cesta básica para uma pessoa baixou de R$ 396,55 em julho para
R$ 383,69 em agosto. Já o grupo de alimentos para uma família com dois adultos e duas crianças ficou em R$ 1.151,08.
Desde janeiro, a inflação acumulada está em 7,9% e, em 12 meses, em 27,9%, segundo a pesquisa. Coordenador do levantamento de preços, Marcos Rambalducci afirma que os preços da batata, do leite e do feijão ainda vão cair até o fim do ano. "Com a entrada da safra nova e o fim do inverno, que leva à recomposição das pastagens, no caso do leite, os preços tendem a baixar."
Ainda, ele estima que o valor da maioria dos produtos deve se estabilizar ou cair no próximo mês, com exceção do café, que tem ficado mais caro ao longo do ano pela maior demanda internacional. "Derivados do leite, como manteiga e queijo, também devem ficar mais baratos. Por outro lado, o arroz ainda pode sofrer majoração porque houve problemas na produção no Rio Grande do Sul", diz Rambalducci.
Sobre a diferença de 27,9% em um ano, o coordenador do estudo diz que se deve a uma tendência histórica de queda no valor em setembro, com o fim do inverno e o início de algumas safras. "A cesta básica tende a declínio até o fim do ano e deve terminar próxima a 12%, bastante inferior à do ano passado", cita Rambalducci, na comparação com os 21,4% de alta em 2015.

Pesquisa
O valor de R$ 383,69 se deve à média de preços em dez supermercados pesquisados em Londrina, mas, se o consumidor pudesse comprar apenas os produtos mais baratos encontrados, pagaria R$ 271,55 pelo mesmo pacote de alimentos, diferença de 29,2%. Caso adquira todos os itens no supermercado com maiores preços, o valor seria de R$ 454,34, ou 18% a mais.
Os produtos que apresentaram maior redução de preços médios em um mês foram batata (-32,6%), leite (-21,7%) e feijão (-10,7%). Na outra ponta, as maiores altas foram da banana (11,3%), do café (9,4%) e do arroz (6,7%). Rambalducci cita, porém, que a carne, com a quarta maior alta (4,66%), surpreendeu. "O peso da carne na cesta chega a 40% do valor total e é muito relevante", diz.

Bolso mais vazio
Quando considerado o salário mínimo nacional de R$ 880, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica foi de 96 horas no mês passado, ou 43,6% do tempo total da jornada de trabalho mensal.
E é do tempo que o salário dura no bolso que os londrinenses mais reclamam. A negociadora de cobranças Dilma Aparecida de Brites afirma que é justamente o básico que está mais caro. "É o arroz, o feijão, o óleo, a carne e até as verduras. São coisas que não tenho como substituir por outras e acabo tirando mais do bolso, mesmo", diz.
O mesmo ocorre com a professora aposentada Ordália Oliveira. "Sou sozinha e compro só o que preciso, mas meu salário está indo embora mais rápido, por mais que eu não receba tão pouco", conta. "Até tive de fazer um empréstimo para acertar algumas contas", completa.
Cozinheiro, Joel Tachote reclama da dificuldade para mudar a dieta dos clientes do restaurante. "Tenho de procurar o melhor preço, porque o brasileiro sempre come arroz, feijão... Não dá para mudar."

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