Preço da carne tem redução no varejo
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quinta-feira, 16 de março de 2006
Fernanda Mazzini <br>eportagem Local 
Aos poucos, os consumidores paranaenses estão sentindo no bolso a queda da cotação da arroba do boi gordo. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura (Seab), no varejo, alguns cortes ensaiam uma redução média no Estado de 5% nos preços. Embora seja um índice baixo, essa queda não deixa de ser uma boa notícia se for levado em conta que entre outubro e janeiro o preço do quilo de alcatra, por exemplo, subiu quase 20%.
Segundo Luiz Fernando de Almeida Teotônio, responsável pelo açougue de um supermercado instalado no centro da cidade, neste último mês alguns cortes tiveram redução entre 25% e 30%. ''Baixaram mais os preços das carnes de primeira, como coxão mole, alcatra e contra-filé. O movimento aumentou muito'', diz. A informação foi confirmada em um outro supermercado instalado na região central. Só para se ter uma idéia, o preço médio do quilo de alcatra em Londrina é R$ 9,29 no mês passado. No Estado, o custo era R$ 9,81.
Na avaliação do veterinário do Deral, Fábio Peixoto Mezzadri, o lucro com a redução do preço da arroba pago ao produtor de R$ 50,14 em outubro para R$ 46,09 em fevereiro e a manutenção dos preços da carne aos consumidores pode ter sido dividido entre os atravessadores e o comércio varejista. ''Os pecuaristas sentiram a queda de preços, assim como os frigoríficos, que demitiram muitos funcionários'', comenta.
Segundo ele, a arroba cotada a R$ 46 não cobre os custos do confinamento; quem trabalha com pastagens pode estar conseguindo apenas equilibrar custos e receita. No entanto, o veterinário lembra que os últimos dois anos já foram períodos de baixos preços para a pecuária. Vários fatores como a queda do dólar e a estiagem levaram muitos produtores a descartar matrizes. ''Os frigoríficos abateram 20% mais matrizes no ano passado'', informa. Isso fez com que aumentasse a oferta de carne no mercado interno, o que contribuiu para a queda da rentabilidade do produtor.
Mas apesar deste panorama, as exportações brasileiras de carne aumentaram 28% no ano passado. Segundo Mezzadri, esse resultado é fruto do aumento do comércio de carnes industrializadas, que têm maior valor agregado no mercado internacional. Até setembro, quando o Paraná ainda não sofria com os embargos, 15% da produção estadual era negociada com o comércio exterior.


