São Paulo - O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, disse que a extensão da desoneração tributária da carne bovina, suína e de aves para o varejo deve estimular o crescimento das vendas desses produtos. ''Com o preço menor, os consumidores vão comprar mais, o que irá beneficiar toda a cadeia produtiva'', afirmou o executivo, em entrevista ao Broadcast. Nas projeções da entidade, a desoneração anunciada sexta-feira à noite pela presidente Dilma Rousseff deve reduzir entre 10% e 12% o preço da carne bovina para os consumidores brasileiros. ''Isso acontecendo, a indústria poderá ter um crescimento importante daqui para frente'', comemorou o executivo.
Segundo Salazar, os frigoríficos já tinham isenção de PIS/Cofins para a carne bovina desde 2010 e para a carne suína e de aves desde 2011. O que aconteceu é que esse benefício não havia sido estendido, na época, pelo governo federal para o varejo, o que onerava os produtos para os consumidores. ''Na época em
que nós negociávamos a desoneração para a indústria, o governo não quis estender esse benefício para o varejo porque alegou que perderia muita receita'', explicou o presidente da entidade.
Isso fez com que os consumidores não sentissem os efeitos positivos da desoneração obtida pela indústria. E tal fato ocorreu porque os supermercados passaram a ter custos tributários mais elevados, uma vez que não conseguiam compensar os créditos com impostos resultantes das negociações com os frigoríficos. ''Em vez de obter um crédito de 100% da alíquota de 9,25% de PIS/Cofins, os supermercados só podiam gerar créditos de 40% do total. O custo tributário mais alto era repassado para os consumidores, elevando o preço
dos produtos'', disse.
O executivo explicou que isso também gerava um problema para os produtores de carnes, uma vez que os supermercados pressionavam as empresas para venderem seus produtos com margens mais baixas. ''Só que não podíamos fazer isso e o consumidor pagava essa conta. Por isso, consideramos que a desoneração da cesta básica foi uma ótima notícia para o setor. Não há mais motivo para o repasse dos custos tributários para o consumidor'', argumentou Salazar.
Supermercados
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Fernando Yamada, afirmou que o varejo também deve fazer repasses da desoneração da cesta básica aos produtos. Segundo ele, o porcentual das reduções de preços irá depender da metodologia de cada agente. ''Com certeza, haverá repasses'', disse em entrevista ao Broadcast, produto da Agência Estado. ''Com a decisão, a pressão sobre os preços deve diminuir.''
Yamada contou que a desoneração e a ampliação dos produtos da cesta básica, anunciadas na sexta-feira à noite pela presidente Dilma Rousseff, já tinham sido solicitadas ao governo pelo setor há mais de um ano. O segmento enxergava a necessidade de baratear produtos com índice de penetração de mais de 90% no consumo das famílias, o que também inclui itens de higiene pessoal, que passaram a fazer parte da cesta.
Dessa forma, o anúncio atende ao pedido dos varejistas, que veem a possibilidade de crescimento nas vendas. O presidente da Abras acredita que o fim da taxação permitirá o aumento no consumo ou a sobra de mais recursos nas mãos das famílias.
Conforme Yamada, as projeções sobre o impacto na receita do setor ainda estão sendo feitas e devem ficar prontas entre hoje e amanhã.
Expectativa
A presidente Dilma Rousseff anunciou a isenção de PIS/Confins na última sexta-feira, em pronunciamento em cadeia nacional. A presidente disse ''esperar contar'' com os empresários para que isso signifique uma redução de pelo menos 9,25% no preço das carnes, do café, da manteiga, do óleo de cozinha, e de 12,5% na pasta de dente e sabonete.
Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reúne com os principais empresários e representantes do setor de supermercados e comércio varejista para cobrar o repasse ''imediato'' das desonerações ao consumidor.

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