O churrasco sagrado do gaúcho está escasso. O preço do boi gordo explodiu para R$ 30,50/32,00 a arroba, e a produção do Rio Grande do Sul é insuficiente para atender a demanda. Com isso, a carne ficou cara para o consumidor e os distribuidores não estão conseguindo se abastecer no Uruguai e Argentina, que eram tradicionais fornecedores, em função do preço mais proibitivo ainda. O boi gordo na Argentina está cotado a US$ 33,60 a arroba e no Uruguai, US$ 31,00 a arroba, conforme levantamento do Sindicato da Indústria da Carne do Paraná.
Para agravar a situação, o Rio Grande do Sul não pode importar carne com osso do Paraná e Mato Grosso do Sul, como fazia anteriormente para completar suas necessidades de abastecimento, em decorrência das barreiras sanitárias impostas pelo Ministério da Agricultura, que proíbe o trânsito de carne com osso. ‘‘Essa era a regra desde que o estado começou a pleitear a condição de área livre de febre aftosa’’, disse Gustavo Fanaya, do Sindicarnes. RS e SC conseguiram a declaração da Organização Internacional de Epizootias, de que seus rebanhos estão livres de febre aftosa e por isso estão impedidos de importar a carne de outros estados.
A produção gaúcha é avaliada em 950.000 toneladas por ano e parte desse volume é exportado para o Oriente Médio e Europa, entre carne industrializada e ‘‘in natura’’. ‘‘Mas o problema maior foi o fim da brecha das distribuidoras gaúchas que importavam a carne dos países vizinhos e não contavam com essa explosão nos preços’’, avaliou Fanaya. Essa situação está gerando um outro problema no RS. Se de um lado pecuaristas estão sendo beneficiados com a valorização da carne, de outro a estrutura de distribuição e de varejo como supermercados e açougues não vêem vantagem em ser área livre de aftosa, se não podem comprar a produção de outros estados.
Para Fanaya, esse é o preço que o RS e SC pagam por serem os primeiros a conquistar o certificado de área livre de aftosa. A situação só vai melhorar - disse - à medida que outros estados conseguirem o mesmo reconhecimento, fator que irá determinar a queda das barreiras sanitárias.
Entressafra Enquanto isso, o preço do boi gordo no Paraná atingiu seu limite máximo, em função do período de entressafra, lembrou Fanaya. O boi está cotado a R$ 27,50 a arroba. ‘‘Daqui para frente, a tendência dos pecuaristas é desovar animais para o abate, para aumentar a rentabilidade’’.
De acordo com o Sindicarnes, o índice de consumo de carne bovina caiu 10% nos últimos dois anos, em função da política econômica adotada pelo governo federal que elevou os juros e reduziu a massa salarial. O consumo que chegou no auge do plano Real em 96, com 40,5 kg/habitante/ano, foi reduzido para 36,5 kg/habitante/ano.

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