As baixas temperaturas aliadas à pouca oferta, contribuíram para uma elevação do preço da carne de porco no Paraná. Em junho, o preço do quilo bruto no atacado subiu de R$ 1,80 para R$ 2,10, um aumento de pouco mais de 15%. Nos açougues, a carne é vendida por corte e pode chegar, em média, a R$ 9, o quilo da costelinha. Segundo a Emater/PR, a tendência agora é que os preços se mantenham estáveis ou sofram um leve reajuste até o final do ano, podendo chegar a R$ 2,40 o quilo bruto.
Tradicionalmente, no inverno o consumo da carne suína tem um incremento que varia entre 5% e 10%. Esse aumento costuma refletir durante todo o segundo semestre, quando as indústrias costumam fabricar mais produtos e os atacadistas formam estoques para as festas de fim de ano. Segundo o engenheiro agrônomo Remi Sterzelecki, coordenador do Programa de Suinocultura da Emater/PR, as exportações paranaenses estão aquecidas, atraídas pelos bons preços do mercado internacional.
''Nos primeiros meses deste ano, houve um aumento de volume e valor exportados com relação a 2004'', diz Sterzelecki sem, contudo, revelar os números. Segundo ele, há pouca oferta de carne suína no mercado porque muitos criadores abandonaram a atividade depois que a suinocultura passou por uma crise de preços, há dois anos. Somente na Região Norte, a estimativa é que o número de criadores tenha caído 35%.
O Paraná tem o segundo maior rebanho do País, com cerca de 4 milhões de cabeças. No entanto, o Estado é o terceiro em produção de carne suína, perdendo para Santa Catarina e Rio Grande do Sul. ''Isso acontece porque parte da produção, principalmente do Norte do Estado, é destinada apenas para consumo próprio'', explica Sterzelecki.
O presidente da Suinopar, José Luiz Vicente da Silva, lembra que no Brasil a carne de boi está mais barata do que no mercado internacional. ''Diante deste panorama, o consumidor prefere comprar mais volume e, por isso, acaba optando pela carne de boi ou pelo frango, que são mais baratos'', avalia. De acordo com ele, a tendência é que as exportações passem a dar ''sustentação'' para os criadores paranaenses. ''Está faltando carne suína no Mercado Comum Europeu, o que está puxando o preço no mercado interno'', informa.
Apesar do aumento das exportações, Silva descarta o desabastecimento na Região Norte. ''Toda semana desembarcam aqui na Região Metropolitana de Londrina cerca de 3 mil cabeças de porcos. São cerca de 270 mil quilos de carne'', comenta.
Custos - O presidente da Associação dos Suinocultores de Arapongas (Asuar), Nelson Guidoni, afirma que a cotação no atacado não chega a dar prejuízos aos criadores. No entanto, um preço considerado satisfatório seria entre R$ 2,40 e R$ 2,50 o quilo, uma vez que o custo de produção está estimado em R$ 1,95. ''Os custos dos insumos e das rações não subiram, mas outras tarifas básicas foram reajustadas como a energia elétrica, o salário mínimo e os combustíveis'', afirma.

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