Preço da carne continua em alta
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Os preços da arroba bovina não tiveram variações expressivas no mercado nacional mesmo com os embargos impostos pela União Européia (UE) à carne brasileira. Mesmo no atual período, que é de safra, a cotação está se mantendo firme, na casa dos R$ 70. Esse comportamento tem ocorrido devido à pequena oferta de cabeças para abate e ao baixo volume importado pelos europeus.
''A União Européia compra pouca carne em quantidade, mas em valores altos. Isso faz com que o Brasil dependa da União Européia em termos monetários, mas não em quantidade'', explica Sergio De Zen, pesquisador responsável pela equipe de Pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Segundo ele, números do governo federal mostram que no ano passado as exportações para a UE renderam ao País US$ 1.086 bilhão, quantia equivalente a 31,18% do total do comércio exterior de carnes. Foram comercializadas 195 mil toneladas do produto, correspondente a 15,8% do total exportado. Essa quantidade equivale a apenas 3,18% do total que foi abatido nos frigoríficos do País.
Em São Paulo, Estado onde são praticados os maiores preços do País, a arroba foi negociada ontem ao preço máximo de R$ 76,80 para pagamento a prazo, de acordo com o Cepea. Já na Região Noroeste do Paraná (que concentra o maior rebanho do Estado) a cotação atingiu R$ 72 (a prazo). O menor preço máximo do País entre as praças pesquisadas está em Rondônia: R$ 61,40.
''É difícil prever variações no preço (da arroba) mas, provavelmente, não deve cair. Os contratos futuros que estão sendo negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) indicam preços firmes'', afirma o pesquisador. Ele acrescenta que para o próximo mês estão sendo firmados contratos na bolsa por R$ 71 a arroba, devendo haver um leve recuo em maio (R$ 68,35), mas voltando a casa dos R$ 70 já em junho.
Varejo - No varejo paranaense os preços dos cortes apresentaram reajuste com relação a dezembro, segundo Fabio Mezzadri, médico veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Já o preço da arroba recebido pelo produtor apresentou uma pequena queda em janeiro (R$ 68,54) com relação a dezembro (R$ 69,45).
Ele explica que essa variação não tem qualquer relação com o embargo imposto pela UE. ''O Paraná já estava impedido de exportar para os europeus desde 2005, quando foram levantadas suspeitas de febre aftosa no rebanho. Há essa queda nos valores da arroba porque estamos em plena safra'', informa Mezzadri. De acordo com o veterinário, neste período está saindo para abate, principalmente, os animais criados a campo.
''A tendência é que os preços continuem nesse patamar porque a oferta está regularizada. Isso ainda ocorre devido ao abate sistemático de matrizes, que ocorreu há três anos, quando os pecuaristas optaram pela soja e pela cana-de-açúcar'', avalia Mezzadri. Segundo ele, estes reflexos (de oferta equilibrada) deverão ser sentidos pelos próximos quatro ou cinco anos.
Na avaliação da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) o embargo não representa prejuízos econômicos para o Brasil, que pode exportar para outros mercados ou atender ao consumo interno.


