Preço da carne bovina volta a subir
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2002
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Depois de cair a R$ 55,00 no dia 29 de novembro, a arroba do boi gordo voltou a subir e foi cotada ontem a R$ 57,00 no Paraná. A informação é de Fabiano Ribeiro Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, em Bebedouro (SP). A valorização foi de 3,5% na última semana. A explicação para a alta é a escassez no mercado de boi terminado a pasto. ''A previsão é que haja oferta no início de janeiro'', analisou.
Outro fator de pressão é o aumento no consumo da carne. ''Os frigoríficos estão buscando mais bois porque o consumidor está utilizando o 13º salário para comprar carne'', disse Tito Rosa. Os Estados do Norte possuem boi de pasto pronto para comercializar, mas os criadores estão retendo os animais a espera de novas altas. ''A tendência é continuar subindo'', ressaltou.
A alta no preço do boi deve chegar ao varejo nos próximos dias. O analista da Scot acredita que o mercado continue agitado, com novas valorizações, até a semana que vem. ''Com as festas de fim de ano, a situação fica mais morna'', afirmou. Como os criadores comercializaram bois mais leves quando o preço caiu, é possível haver um novo período de escassez em fevereiro, quando estes animais estariam terminados.
No atacado, a demanda das festas de fim de ano enxugou as escalas. ''Há pouca carne disponível, por isso, o preço subiu e elevou a cotação do boi'', informou Péricles Salazar, presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne). Ele não acredita em novas altas. ''O consumidor não tem dinheiro para comprar carne mais cara'', disse.
No último mês, segundo ele, o preço do boi caiu 3,5%. A dianteira bovina, em contrapartida, subiu 5,6%; o traseiro caiu 2,4%; e a ponta de agulha desvalorizou 12,5%. ''Não há espaço para novas altas na cotação do boi'', opinou.
Não é essa a expectativa do peucarista Valdir Lazarini, de Cascavel. Ele ainda tem animais de confinamento para vender e aposta que o preço da arroba vá atingir entre R$ 58,00 e R$ 60,00. ''A alta já era prevista porque a oferta é baixa'', comentou.
Boi verde - A possibilidade da União Européia reabrir o bloco para produtos transgênicos, desde que haja especificação sobre o conteúdo das embalagens, pode favorecer as exportações brasileiras de carne. O apelo natural do boi brasileiro, alimentado exclusivamente com capim, deve ganhar a preferência dos consumidores europeus contrários aos transgênicos. ''O apelo ambiental é forte no mercado internacional'', afirmou Salazar.
O pecuarista Lazarini acredita inclusive que a carne livre de organismos geneticamente modificados alcance preços mais altos nesses países. ''Para o pecuarista brasileiro, é um bom negócio continuar alimentando os animais com capim''.


