Curitiba Já foi o tempo que ''preço de banana'' significava produto barato. No Paraná, a banana ficou tão cara a ponto de elevar o custo da cesta básica de alimentos. No mês de setembro, a variação da cesta básica de Curitiba foi de 1,95%. Esse índice rompeu um período de quatro meses seguidos de deflação nos alimentos, revelou levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Para este mês, espera-se nova alta no preço da cesta básica, embora não tão expressiva. O economista do Dieese Sandro Silva acredita que o índice pode ficar inferior a 1%, se houver recuo no preço da banana e dependendo do comportamento do preço da carne, que tem um peso significativo no custo da cesta básica. Das 16 capitais brasileiras pesquisadas pelo Dieese, Curitiba ficou em quarto lugar no ranking das mais caras do País.
Não fosse o aumento de 27% no preço da banana ocorrido em setembro, a variação da cesta básica seria de apenas 0,18%, calculou Sandro Silva. Além da banana, o economista apontou a alta do tomate (6,02%), arroz (3,59%), açúcar (1,67%), pão (1,01%), café (0,89%) e carne (0,63%), produtos que influenciaram no aumento do custo da cesta básica.
Com o índice de setembro, a variação acumulada do ano é de -0,71% e a variação dos últimos meses é de 11,57%. O aumento no preço dos alimentos ocorrido no período janeiro a abril foi revertido nos meses de maio a agosto e, agora, houve um repique a ponto de quase zerar a deflação que vinha ocorrendo, analisou Sandro Silva.
Segundo o economista do Dieese, o índice de setembro surpreendeu porque não se esperava uma alta tão expressiva como aconteceu. O preço da banana influenciou negativamente apenas na cesta de Curitiba, porque o Paraná foi o único estado que apontou redução de oferta da fruta e consequentemente alta nos preços. No último mês, predominou no Estado um clima frio e poucas chuvas que prejudicaram a oferta da fruta no mercado.
Apesar dos aumentos, Sandro Silva observou que nos últimos 12 meses houve um ganho de poder aquisitivo do trabalhador em relação à cesta básica. Em março, o trabalhador precisava comprometer 83,45% do salário mínimopara comprar alimentos e hoje está comprometendo 62,96%. Neste período, houve aumento do salário mínimo de R$ 200,00 para R$ 240,00, enquanto caiu o preço dos alimentos no período maio a agosto.

mockup