Preço da arroba do boi atinge maior patamar do ano no PR
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sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Mês a mês, os valores da carne bovina não param de evoluir em território nacional, confirmando o bom momento vivido por pecuaristas de diversas regiões do País. Um levantamento realizado pela Scot Consultoria aponta valorização da arroba do boi gordo em 17 praças, de 31 pesquisadas (em 16 estados) essa semana. Em São Paulo, por exemplo, a arroba foi cotada, na última quinta-feira, a R$ 127 à vista, maior valor nominal já registrado no estado.
No Paraná, a tendência também é de incremento. O mês de agosto, mesmo ainda não fechado, possui a maior média para o preço da arroba, que estava sendo comercializada, até ontem, a R$ 119,74. Comparado com o mesmo período do ano passado, por exemplo, quando foi comercializada a R$ 99,14, a alta é de significativos 20,7%. Neste ano, o preço começou em R$ 112 em janeiro, logo saltou para R$ 117,8 em meados de março até atingir média acima de R$ 119 em agosto (confira a evolução no gráfico). Ontem, o valor da arroba do boi à vista no dia era comercializada a R$ 126 no Estado.
A cabeça do boi magro para engorda acompanha o ritmo da arroba, e também atingiu patamar recorde esse ano, chegando a R$ 1.355,5 em agosto, alta de 21,9% frente a 2013. Os números são do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab).
O cenário atual do mercado é sustentado pela menor disponibilidade de boiadas terminadas, com a baixa qualidade das pastagens e pouca oferta de animais de confinamento. A redução de animais terminados gera um cenário de firmeza em relação aos preços para os próximos meses. "O mercado está bem escasso e os pecuaristas estão aproveitando para barganhar preço", explica o analista de mercado do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea), Augusto Maia.
A evolução dos valores é justificada por uma mudança de cenário que não é de hoje. Por muitos anos, os produtores abateram fêmeas, o que o ocasionou agora um problema na oferta de bezerros e, consequentemente, falta de animais terminados. "A seca do início do ano também atrapalhou a formação das pastagens, fundamentais para definir a oferta durante todo o ano", explica Maia. Para os próximos meses, o analista projeta um cenário em que os preços continuam sólidos, sem muita margem para recuo.
O zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, Fernando Amadio, relata que no mercado futuro, de outubro, a arroba do boi à vista na BM&F Bovespa é comercializada a R$ 131. "Estamos em um momento de entressafra, entre o primeiro e o segundo ciclo. A oferta é ruim e as indústrias estão com dificuldades de comprar animais terminados. Está previsto a saída de animais de confinamento do segundo ciclo na segunda quinzena de setembro, o que pode melhorar a oferta e esfriar um pouco os preços", completa o analista.
Suínos e aves
Além da carne bovina, as carcaças de suínos e de aves tiveram um aumento de preço significativo em agosto. Segundo levantamentos do Cepea, ao longo do mês, a carne suína valorizou 20%, a de frango, 16%, e a bovina, 6%. Com esses reajustes, os preços atuais da carcaça bovina no atacado já superam em 26% o preço médio de agosto do ano passado; no caso do suíno, a carcaça comum está 23% mais valorizada e o frango inteiro resfriado, 5%.



