Preço da arroba dispara na próxima entressafra
Eduardo Magossi Agência Estado
O preço da arroba do boi deverá atingir em outubro, principal momento da entressafra, um valor em torno de R$ 33, segundo estimativa do analista Alcides Torres da Scot Consultoria. O valor estimado por Torres é bem inferior aos R$ 38 previstos hoje pelo contrato futuro de boi da BM&F. Segundo ele, o preço mais conservador estimado está baseado no comportamento dos preços da arroba dos últimos anos e na demanda por carne bovina, que se encontra bastante retraída.
Torres explica que, nos últimos quatro anos, depois do Plano Real, a elevação média dos preços da arroba entre maio e outubro, é de apenas 8,6% enquanto a elevação indicada pela BM&F atinge os 16%. Segundo ele, com a assimilação cada vez maior de tecnologias que permitem a manutenção e ganhos de peso durante a seca, como sal com uréia, a amplitude de variação do preço de boi entre fim de safra e pico de entressafra vem diminuindo.
A média de variação de preço entre maio e outubro, nos últimos 20 anos, é de alta de 29,9%. Mas nos últimos quatro anos, depois do Real, a alta foi bem menor, explica.
Torres avalia que, nos atuais preços, o consumo está fraco. Se os preços aumentarem muito na entressafra, o consumo também tenderá a cair. Por isso, os preços da arroba não devem registrar a alta indicada pela BM&F, disse.
Segundo ele, mesmo que a arroba fique em R$ 33 em outubro, o pecuarista que confinou terá lucro. Isto porque, segundo ele, o ganho do pecuarista no confinamento se dá basicamente na arroba carregada para o confinamento e não na arroba engordada no confinamento.
Ele disse também que este cenário pode mudar se, por exemplo, o governo aumentar o salário mínimo, o que acarreta em aumento de consumo de carne, ou se chover durante o inverno. Torres explica também que um aumento no custo de confinamento também poderá mudar este cenário para o pecuarista.
Segundo ele, existem rumores no mercado de que as empresas produtoras de polpa cítrica não estão entregando os produtos para os pecuaristas. Se isto realmente estiver acontecendo, o pecuarista terá que utilizar um alimento mais caro durante o confinamento, o que poderá tornar o processo inviável, disse.





