Preço da arroba bovina tem queda atípica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Os meses de maio e junho costumam ser de maior rentabilidade na comercialização de bovinos no Paraná. A oferta geralmente reduzida de animais causada pela entressafra - diminuição de pastagens - acarreta em elevação de preços da arroba do boi gordo. No entanto, os pecuaristas paranaenses se deparam com uma queda atípica nos preços este ano. De janeiro a junho, o valor da arroba já teve redução de 3,23%.
Ao contrário do ocorrido em anos anteriores, em maio e junho de 2011 o Estado registrou aumento de oferta. De acordo com o veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Fábio Mezzadri, a seca prolongada - que chegou a quase 40 dias em algumas regiões - prejudicou o desenvolvimento das pastagens de inverno e diminuiu a qualidade das pastagens de verão que restavam. ''Com isso, os pecuaristas venderam o gado antecipadamente para evitar que eles perdessem muito mais peso'', argumenta.
Mezzadri esclarece que o aumento da oferta registrada em junho é consequência da entrada desse gado no mercado, somado aos bovinos provenientes do final da safra. Em abril, a arroba bovina custava R$ 97,42. Já em 15 de junho, o valor pago aos produtores foi de R$ 92,34. Segundo o veterinário do Deral, em anos anteriores as maiores reduções de preço eram registradas em abril e início de maio, período de pico de safra.
Em comparação a maio de 2010, quando era comercializada a R$ 74,88, a arroba teve valorização de 27%. Mezzadri explica que esse aumento é consequência da baixa oferta de animais, que, por sua vez, é decorrente do alto abate de matrizes que vem sendo promovido no Estado há oito anos. ''A baixa rentabilidade da pecuária observada no período, resultou nesse abate'', argumenta. A recuperação dos preços passou a ser mais expressiva a partir de 2010, sendo que o preço máximo registrado foi de R$ 100,88 em novembro.
Hoje, o abate de matrizes continua sendo realizado em função do alto preço da vaca, com média estadual de R$ 84,22. Por outro lado, a expectativa é que essa prática diminua impulsionada pela valorização do bezerro, vendido entre R$ 650 e R$ 750. ''Compensa para o pecuarista manter a matriz para fazer cria de bezerros'', avalia Mezzadri.
Perspectivas
No entanto, Mezzadri salienta que essa redução de preços é momentânea e que a disponibilidade de animais para abate está se tornando escassa novamente. ''Assim, a tendência é de que os preços voltem a subir a partir de julho'', ressalta. Segundo ele, os preços devem permanecer elevados até setembro ou outubro, quando a oferta do produto volta a subir.
O veterinário do Deral lembra, ainda, que a queda nos preços do suíno e do frango pode pressionar também a queda na carne bovina. ''A população tende a consumir a carne que estiver mais barata, substituindo a carne bovina pelo frango ou suíno'', justifica. Essa migração no consumo obriga a redução do custo da carne bovina para garantir o consumo. Essa influência pode fazer com que o preço não alcance patamares muito elevados.
Outro fator que pode interferir no valor da arroba é o embargo russo às carnes paranaenses. Se a restrição for mantida, um maior volume do produto deve permanecer no mercado interno pressionando negativamente os preços. ''Mas estamos na expectativa de que a situação seja renegociada com a Rússia. Outra opção seria o Brasil abrir outros mercados'', comenta Mezzadri.


