O maior exportador mundial de café, o capixaba Jair Coser, da Unicafé, não acredita que os preços internacionais do produto caiam a patamares ainda menores do que os praticados no momento. Coser, que veio a Londrina conferir in loco os prejuízos que o Norte do Estado teve com a geada do mês passado, se mostrou surpreso com as perdas na lavoura. ‘‘Saber que houve prejuízos é uma coisa. Ver pessoalmente é outra. Me lembrou muito a geada negra de 75, quando também estive aqui’’, lastimou. Ele estima que 80% das plantações foram afetadas, o que pode representar uma quebra de até 60% na próxima safra.
‘‘Calculo que, em todo Brasil, vamos ter uma perda em torno de 5 milhões de sacas’’, disse.
Mesmo com este prognóstico, Coser disse não entender como o preço do produto pode estar mais baixo que os da geada e apesar do programa de retenção de café, desencadeado pelo Governo Federal, há três meses, como forma de forçar o aumento no preço do produto.
‘‘O programa tem sido um grande esforço do governo, mas não está tendo o resultado esperado porque os preços continuam baixando.’’ Para Coser, no momento, não há muito o que fazer para reverter a situação.
‘‘O café é cíclico. Quando há uma subprodução, há o aumento nos preços. Em seguida, mais gente começa a produzir até que ocorre uma superprodução que faça o preço cair de novo.’’
Segundo Coser, o preço só não está mais baixo do que em 1994, antes da criação da Associação de Países Produtores de Café (APPC). ‘‘Na época, tínhamos US$ 46 a saca do extrafino. Hoje, estamos enfrentando um mercado que paga US$ 70 ao extrafino e US$ 50 ao conilon, o que não cobre o custo de produção, ou o deixa no limite. Não creio, porém, que passe disso. Acho que atingimos o fundo do poço’’, afirmou.
A vantagem, segundo ele, é que o Brasil, entre todos os produtores de café arábica, é o que tem o custo de produção menor. A Indonésia, por sua vez, tem o menor custo na produção do robusta. ‘‘Os outros países estão trabalhando com prejuízo’’, afirmou.
Mesmo assim, Jair Coser afirma que o País vem perdendo espaço internacional. Segundo ele, nos primeiros sete meses de 2000, as exportações brasileiras caíram 31% em relação ao mesmo período no ano passado. ‘‘Enquanto em 99 embarcamos 21,3 milhões de sacas, este ano não faremos mais que 16 ou 17 milhões de sacas’’, disse.
Segundo ele, é preciso pensar em estratégias consistentes para recuperar o espaço perdido. ‘‘O mundo continua bebendo café, o mercado registra um crescimento anual de 1,5%. Os estoques internacionais dobraram além dos níveis normais. Porém, não é café brasileiro. Os concorrentes aumentaram suas exportações em 23%’’, afirmou.

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