Preço baixo desestimula plantio do feijão
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segunda-feira, 12 de julho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A safra de feijão que começa a ser plantada no Paraná no final de julho pode ocupar área menor que a cultivada em 2003. O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) ainda não tem números fechados sobre a safra das águas. Segundo o técnico Richardson de Souza, os baixos preços no mercado devem desestimular os produtores.
O feijão carioca é vendido, hoje, por R$ 47,00 a saca, em média, ao produtor. Em junho de 2003, a cotação era R$ 68,00. O produto teve desvalorização de 44% nos últimos 12 meses. O feijão preto, comercializado por R$ 64,00 a saca, não sofreu grandes alterações.
A tendência de plantio acompanha o comportamento verificado no ano anterior, quando a área cultivada reduziu 6% na primeira safra, com plantio de 362 mil hectares (ha); 10% na segunda safra, com 119 mil ha plantados; e 6,5% na terceira safra, com 22 mil ha. A expectativa é que a produção somada das três safras tenha quebrado em 16%, com colheita estimada de 669,6 mil toneladas.
Apesar do panorama desfavorável, Richardson não acredita em redução intensa de área. Segundo ele, a maioria dos produtores paranaenses trabalha em pequenas áreas e não têm condições tecnológicas e financeiras de migrar para outras culturas. ''Eles não mudarão por falta de alternativas'', acredita. Com relação à produção, porém, o técnico aposta aposta em menor produtividade. ''Desanimados, os produtores tendem a usar menos tecnologia.''
A expectativa do mercado é menos otimista. Para o analista Marcelo Luders, da Correpar Corretora, em Curitiba, a área vai reduzir fortemente na safra 2004/2005. ''Além dos preços baixos, os insumos estão mais caros. O valor pago pelo produto teria que ser 25% maior para estimular o plantio'', afirmou.
Na opinião de Luders, os preços atingiram o ''fundo do poço'' na semana passada, quando a cotação variou entre R$ 45,00 e R$ 55,00 por saca, ao produtor. ''A tendência, agora, é de lenta recuperação'', disse. Um dos fatores que pode estimular o aumento de preços é a recuperação do consumo, que foi entre 15% e 20% abaixo que o normal no primeiro semestre do ano. ''A expectativa do mercado é que a economia reaja e o consumo cresça.''
Os baixos preços não desanimaram o produtor Sérgio Komura, de Tamarana, que pretende cultivar 96 hectares de feijão na primeira safra paranaense. Ele aposta que a redução na área da cultura vai diminuir a oferta e melhorar os preços. ''Muita gente vai migrar para a soja'', disse.
Na região, produtores incluem o feijão em uma rotação anual que contempla quatro culturas. Komura vai cultivar o cereal após a aveia branca. Depois de colher o feijão, plantará milho na mesma área, para em seguida semear o trigo. Segundo ele, o produto precisa ser cultivado, independentemente do preço, para ocupar a terra que ficaria descoberta no período.


