Preço baixo desanima cafeicultura
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Ricardo Maia<BR>Reportagem Local 
O valor pago ao produtor pela saca de café tem apontado sucessivas quedas desde o início de 2012. Mesmo com oferta e demanda equilibradas tanto no mercado nacional quanto no internacional, os produtores do grão têm ganhado cada vez menos com a venda da produção. Neste mês, por exemplo, a média do valor ofertado ao agricultor paranaense está abaixo de R$ 305 a saca, contra R$ 422 registrado em fevereiro de 2012, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
De acordo com Paulo Franzini, especialista em cafeicultura da entidade, nos últimos meses têm ocorrido uma pressão negativa muito forte nos preços do grão. Franzini explica que a crise financeira nos principais países consumidores como na Europa e as sucessivas expectativas do mercado internacional sobre aumento de produção nos principais países produtores têm propiciado uma depreciação na comercialização desse produto. "O consumo vem aumentando e a produção também, por isso esses baixos preços não se justificam", indaga o pesquisador.
Com essas variações de mercado, acrescenta Franzini, quem sai perdendo é o produtor. Ele completa que em janeiro, por exemplo, o valor pago ao agricultor pela saca do grão foi de R$ 305, enquanto o custo de produção total ficou entre R$ 400 e R$ 500. O custo variável, adiciona o especialista, tem oscilado entre R$ 300 e R$ 380 a saca.
Segundo uma análise de mercado divulgada pela consultoria Safras & Mercado, a queda nos preços do café tem gerado mal-estar entre os vendedores do produto, os quais justificam essa crise a um baixo volume de negócios. O último estudo divulgado pela Safras mostrou que a comercialização da safra de café em todo o Brasil no período 2012/13 chegou a 67% até o dia 8 de fevereiro. No mesmo período do ciclo anterior, esse índice já tinha passado de 79%. Franzini explica que no Paraná não há comercialização antecipada, pois a venda acontece conforme o produto é colhido.
Safra
O Paraná deve produzir nesta safra mais de 97,5 mil toneladas do grão, 8% a mais se comparado ao ciclo 2011/12. Mas em área, a ocupação da cafeicultura no atual período sofreu uma redução de 3% em relação ao anterior, com um total de 64,8 mil hectares. Franzini avalia que o grande problema do atual ciclo foi o clima seco que atingiu as lavouras no segundo semestre do ano passado. Porém, o pesquisador tranquiliza os agricultores dizendo que as chuvas que vêm ocorrendo em todo o Paraná têm ajudado as lavouras paranaenses que já se encontram em fase de frutificação.
Yassumassa Assami, produtor na região de Maringá, não está muito contente com a sua atual safra. Em uma área plantada com 14 hectares de café, o agricultor espera colher em torno de mil sacas do grão, quase a metade do total produzido na safra 2011/12. Ele explica que essa queda brusca na produção se deu por causa da forte estiagem que atingiu a região em julho do ano passado, período de plena maturação da lavoura.
Assami completa que no último ciclo o setor cafeeiro viveu um efeito "sanfona", ou seja, as plantas receberam muita chuva em determinado período e em outros sofreram com uma forte estiagem. Isso, completa o cafeicultor, trouxe um desequilíbrio para o desenvolvimento dos grãos. "A partir de dezembro do ano passado o clima começou a melhorar, mas a brotação já foi prejudicada", lamenta o agricultor.



