Os preços do açúcar no mercado seguem em alta mesmo ainda no período de safra. Um relatório de preços divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq) mostra que no dia 2 de agosto desse ano, por exemplo, o valor do açúcar chegou a registrar um pico de R$ 70 a saca de 50 quilos. Se comparado com o mesma data de 2010, o preço teve um acréscimo de 30% ou R$ 21,01 a mais por saca.
  De acordo com a pesquisadora do Cepea, Heloisa Lee Burnquist, o setor está vivendo um momento atípico de alta de preços. Um dos principais motivos, segundo ela, é a falta de matéria-prima no mercado interno.
  O valor do açúcar fechou na última segunda-feira, dia 22, a R$ 68,47 a saca, com uma variação positiva no preço de 0,57%. ‘‘Nessa safra houve uma quebra significativa e inesperada na produção’’, afirma Heloisa. Os preços, segundo a pesquisadora, estão em patamares diferentes do que foi registrado no ano passado. Ela completa que, nessa época do ano, era para os valores do açúcar estarem bem abaixo do que estão. ‘‘A safra começou agora em abril. Com isso, era previsto uma queda de preços’’.
  De acordo com dados do Cepea, do início de agosto de 2010 ao mesmo período de 2011, o preço do produto por saca passou de R$ 42,99 para R$ 70,01. Na semana passada, o valor do açúcar ficou na casa dos R$ 68, com pico de R$ 68,79 registrado na segunda-feira, dia 15. A pesquisadora do Cepea explica que fora o deficit de oferta, o mercado consumidor e as exportações brasileiras do produto seguem na normalidade.
  ‘‘Estamos percebendo que essa elevação nos preços já começa a retrair o consumo’’, sublinha Heloisa. Já no mercado internacional, Heloisa acrescenta que os valores estão favoráveis, o que pode ser uma oportunidade de aumentarmos as exportações. Hoje, segundo ela, enviamos dois terços de nossa produção para o mercado externo.

O mercado e a produção
  De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no último levantamento da entidade realizado em maio a previsão de esmagamento de cana para a produção de açúcar foi de 308,8 mil toneladas, o que corresponde a 48,11% da previsão de moagem de 641,9 mil toneladas. Na região Centro-Sul, a destinação total de cana para o açúcar foi de 47,93%, 1,93% a mais do que na safra anterior.
  No Paraná, de acordo com o relatório da Conab, o volume de matéria-prima destinada para a produção de açúcar na safra 2011/12 foi 13,62% superior ao ciclo passado, totalizando 26,3 mil toneladas de cana. Dados da Conab apontam um crescimento de 10,79% no volume de açúcar produzido no Paraná. Ao todo, deverão ser disponibilizados na atual safra, 3,3 mil toneladas do produto. Para conseguir esse aumento, de acordo com a entidade, houve no Estado um crescimento de 6,36% em área plantada em comparação com o ciclo anterior. Hoje, a área plantada do Estado está em 619,3 mil hectares.
  O volume de produção cana-de-açúcar paranaense para esta safra aponta um incremento de 8,4%. O total estimado da colheita deverá ser de 46,9 mil toneladas ao todo. Segundo a Conab, as lavouras do norte do Paraná e do sul do Mato Grosso do Sul é onde é que as estão em melhores condições, pois foram menos afetadas pela estiagem.

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