Preço alto no mercado interno
O mercado indica que os triticultores terão uma boa safra de preços. A projeção de especialistas é que durante o período de colheita a cotação do grão permaneça nos patamares atuais - em torno dos R$ 25 a saca - contra um preço de R$ 18,94 registrado em abril do ano passado. Em um ano, o reajuste foi de 32,5%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Os preços do trigo são baseados no mercado externo, mas no mercado nacional devem sofrer pressão devido à decisão argentina de restringir a oferta do grão, facilitando as importações de farinha. ''O mercado já está sentindo os reflexos da decisão argentina porque os preços estão bons mesmo com o dólar desvalorizado'', observa Gustavo Bracale, analista de mercado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Segundo ele, para esta safra a tendência é que a produção nacional seja recuperada, uma vez que no ano passado a colheita foi de cerca de 2,2 milhões de toneladas, mais de 50% menor do que a produção de 2005, quando o País produziu cerca de 4,8 milhões de toneladas do grão. A estimativa do Deral é que o Estado produza neste ano cerca de 2,27 milhões de toneladas de trigo, contra 1,18 milhão de toneladas colhidas na safra anterior.
Apesar da concorrência com o milho safrinha - que ganhou espaço graças à demanda pela agroenergia -, a área de trigo no Paraná será 2,6% maior nesta safra, com relação ao plantio anterior segundo estimativas do Deral. O aumento na área ocorreu, principalmente, na Região Centro-Sul do Estado, que não pode plantar milho safrinha devido ao clima mais frio. ''Na verdade, falta opção economicamente viável para o inverno e o produtor precisa aproveitar a sua área'', afirma Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Deral. Segundo relatório do Deral, o trigo vai ocupar 74% da área estimada com as culturas de inverno. (F.M.)





