Preço alto da soja encoraja venda
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domingo, 29 de abril de 2012
Gabriela Mello <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - A valorização da soja em mais de 7% só em abril gera uma expectativa de que a antecipação da venda, prática que ganhou espaço neste ano por conta da demanda firme e da alta dos preços, se mantenha em ritmo acelerado nos próximos meses, envolvendo agora a safra 2012/13, que começa a ser cultivada em setembro.
As boas condições de mercado para a oleaginosa fizeram com que até mesmo o Paraná, Estado onde a venda antecipada não é uma tradição, passasse a desfrutar das oportunidades. ''Da safra passada para essa, isso mudou no Paraná. O produtor paranaense vê preços convidativos e pensa em aproveitar o momento'', disse Robson Mafioletti, analista técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
De acordo com ele, 25% da nova safra paranaense (2012/13) já foi comercializada, ante um porcentual que não ultrapassava os 10% em igual período do ano passado. Mafioletti observa também que as campanhas de venda de insumos, normalmente definidas entre junho e julho, começaram mais cedo neste ano devido à perspectiva de aumento dos custos de produção. ''O pessoal também está antecipando a compra de fertilizantes'', disse.
A comercialização antecipada é mais forte no Centro-Oeste, onde os agricultores negociam com as tradings a produção futura em troca do chamado pacote tecnológico (sementes, fertilizantes e defensivos) necessários. O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) calculava na semana passada que o sojicultor do Estado havia negociado 85,9% da safra 2011/12 e 23,5% da 2012/13.
No próximo levantamento, esses porcentuais devem subir para 90% e 30%, respectivamente, segundo Daniel Latorraca, analista do Imea. ''Quem manda é o preço. Se mantiver a alta, as vendas continuarão aceleradas'', disse. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Carlos Fávaro, concorda. ''Enquanto tem lucro, (o produtor) vai botando no bolso, vai vendendo mais um pouco'', afirmou.
Mafioletti, da Ocepar, enfatiza, no entanto, a necessidade de uma moderação nesse entusiasmo. Segundo ele, embora não haja uma fórmula exata, a alternativa mais sensata ainda é a venda escalonada para se alcançar uma média de preço satisfatória. ''Não é prudente comercializar 80% da safra antes de plantar. E se o preço cair, vender por um valor menor faz parte dos negócios. Agricultura é uma indústria a céu aberto.''
Leonardo Menezes, analista da consultoria Céleres, sugere que o agricultor que já travou os custos de produção e pretende prosseguir com as vendas da próxima safra aguarde até junho ou julho, quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgará relatório sobre a área plantada e o mercado terá melhores informações sobre as condições das lavouras do país. ''Quem segurar um pouco vai ter a chance de conseguir preços melhores'', avalia. ''Daí em diante, penso que seja arriscado segurar.''
Para o coordenador do Centro de Comercialização de Grãos da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (CentroGrãos/Famato), João Birkhan, não é preciso pressa, pois, mesmo que os Estados Unidos colham uma boa produção, os estoques da oleaginosa ao final deste ano-safra serão apertados.


