Preço alto afasta consumidores dos postos em Londrina
Cláudia Lopes
De Londrina
Consumidores estão fugindo dos preços dos combustíveis cobrados pelos postos de Londrina e passando a abastecer os seus veículos em outras cidades da região. No posto Amigão 2, em Rolândia, o litro da gasolina custa R$ 1,13 e, o do álcool, R$ 0,439. Em Londrina, a maioria dos postos vende o litro da gasolina a R$ 1,32. Em Cambé, os preços variam entre R$ 1,13 e R$ 1,27.
A maior parte das pessoas que abastece em outros locais trabalha como representante comercial. Muitos chegam a levar galões nos carros para comprar combustível em cidades como Cambé e Maringá para trazer a Londrina.
O representante comercial Júlio Cesár Tavares, que trabalha com tecidos, é um deles. Ele reclama do que chama de cartel em Londrina. Deveria haver uma fiscalização que impedisse que os donos de postos combinassem os preços. É uma vergonha o que está acontecendo na cidade.
Na última sexta-feira, Tavares gastou R$ 7 num posto de Cambé apenas para chegar em Maringá. Ele levava um galão dentro do porta-malas de seu veículo. Num posto de Maringá, pago R$ 0,34 pelo litro do álcool. Em Londrina, a maioria dos estabelecimentos vende o combustível por R$ 0,68. Como gasta 780 litros de álcool por mês, Tavares consegue economizar R$ 265,20.
A representante comercial Neide Correa Raphael também teve que encontrar alternativas para reduzir os gastos que vinha tendo com combustível desde o último aumento da gasolina. Ela está abastecendo seu veículo em Maringá, em postos que cobram entre R$ 1,04 e R$ 1,06 pelo litro do produto, conseguindo uma economia de mais de R$ 100. Antes, eu gastava cerca de R$ 400 por mês em gasolina. Gostaria de entender porque os postos de Londrina estão cobrando tão caro pelo combustível, questionou.
Algumas pessoas da região também estão trocando os veículos movidos a gasolina pelos com motor à álcool. Há um mês, o representante comercial Décio Rodrigues trocou de carro para diminuir os gastos com combustível. Gastava R$ 900 por mês com gasolina. Consegui reduzir o gasto pelo metade, calcula. Semanalmente, ele diz que procura opções de preços em outros postos.
O vendedor Sérgio Ricardo gastou R$ 300 na conversão do motor de seu veículo para álcool na semana passada. Vou recuperar este investimento em um mês, disse. Ricardo roda cerca de cinco mil quilômetros pelas estradas do Estado e fatura R$ 3 mil ao mês. Com o motor a gasolina, gastava R$ 500 por mês, contou. Na sexta-feira, ele gastou R$ 13,25 com 30 litros de álcool no Posto Amigão 2.
O gerente do estabelecimento, Jaime Bordignon, disse à Folha que a promoção afastou a possibilidade de demissão no estabelecimento, que tem 12 funcionários. Há 60 dias, o litro da gasolina no posto custava R$ 1,25, mas não estávamos vendendo nada. Com a redução, as vendas aumentaram 50%, disse.
A vantagem dos consumidores que estão indo abastecer os carros em Maringá pode durar pouco. Na sexta-feira passada, a gasolina passou a ser vendida a R$ 1,28 na maioria dos postos da cidade. O preço do álcool saltou para R$ 0,59.(Leia nesta página)





