A constante oscilação da temperatura e da própria economia de um ano para o outro levou os comerciantes de Maringá a segurar na compra do estoque de roupas e acessórios para o frio. Somente parte dos lojistas está nas chamadas liquidações de inverno com descontos de até 50% nos preços. Uma boa ala conseguiu escapar do excesso de mercadorias, mesmo tendo como referência os dias gelados do ano passado.
Para a comerciante Lucilla Gomes Pereira Netto, só a experiência consegue ‘‘salvar’’ a atividade. Ela conta que segurou o investimento no inverno deste ano e monitorou por telefone as compras de roupas feitas em São Paulo. ‘‘Ligava para a loja e perguntava como estava o tempo em Maringá e dependendo da resposta largava todas as blusas de frio e comprava moda de meia-estação e de verão’’, lembra Lucilla.
‘‘Em determinados dias trazia no máximo meia dúzia de terninhos’’, completa a comerciante. Em sua loja não há roupa de inverno, mesmo antes do fim oficial da estação.
Segundo Lucilla, que há 15 anos está no setor, o comerciante não consegue mais ter como referência as estações passadas. ‘‘Cada ano é uma história e hoje em dia cada mês é uma fase diferente’’, ressalta a comerciante. Ela diz que o lojista do setor de confecções tem que ter muita experiência e estar atento em compras de qualidade mas de preço bom para o consumidor. ‘‘Hoje em dia não teria coragem de entrar neste ramo’’, afirma Lucilla.
Para a comerciante Maria Piedade Apoloni faltou justamente a experiência. Ela abriu sua loja de roupas infantis em março e antes do inverno encheu as prateleiras com roupas de frio. ‘‘As vendas foram péssimas e ficou tudo a풒, lamenta Maria. A comerciante garante que no ano que vem vai comprar somente 50% do que adquiriu este ano. Ela diz que não tem conseguido se livrar da mercadoria nem com promoção de inverno. ‘‘Vou guardar para tentar vender no ano que vem’’, destaca Maria. (Marta Medeiros, de Maringá)

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