Prazo para trigo amplia risco
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de maio de 2002
Da Redação 
Terminou ontem o prazo para plantio do trigo nas zonas A1 e A2 (Norte Pioneiro, Norte e Noroeste - comprendendo quase todas as regiões que vão de Cornélio Procópio a Palotina). O prazo foi prorrogado para os agricultores que utilizam variedades de ciclo intermediário (data limite: 10/5). Para as de ciclo precoce o prazo normal terminou ontem, sem prorrogação. O Departamento de Economia Rural (Deral) informou que não haverá novo prazo, nem mesmo para os casos em que o excesso de umidade não permitiu a entrada das máquinas. Os técnicos não querem fugir dos prazos estipulados pelo Zonaemento Agrícola, por entenderem que o Zoneamento é um bom instrumento para evitar riscos para o produtor.
O empresário e agropecuarista José Eduardo de Andrade Vieira - que implantou o Zoneamento Agrícola quando ministro da Agricultura - disse ontem que a prorrogação do plantio é uma orientação errada tanto econômica como tecnicamente. Os riscos aumentam a cada dia além do prazo dado como limite. Estão levando o agricultor a uma aventura. É preferível indenizá-lo sobre o lucro que teria, em condições normais, a ter que desembolsar muito mais em seguro agrícola - disse.
Ex-ministro de duas pastas - Agricultura e Indústria e Comércio -, José Eduardo não concorda com o argumento de que a produção é válida - a todo custo - para um País que depende da importação. Este argumento não leva em conta o intercâmbio comercial, como um todo, dentro do Mercosul. É preciso optar pelo mais econômico e mais interessante para a sociedade.
Para José Eduardo, o trigo nacional é da maior importância, mas se o clima não ajudou não adianta colocar o agricultor em dificuldade enquanto o erário (a sociedade) paga a conta de uma frustração de safra, que é iminente a esta altura do calendário.
Entre plantar trigo fora da época com riscos de prejuízos e estimular o produtor a fazer cobertura verde durante o período, a segunda opção é bem mais interessante, segundo José Eduardo. Além disso, observa, a adubação verde não atrasa os plantios da safra de verão, o que implica outros riscos.
Ele também afirma que o Zoneamento Agrícola foi elaborado a partir de bases técnicas e científicas e de vários anos de estudos de campo, além de outras variáveis como o comportamento histórico do clima em cada região. Foi um esforço para reduzir riscos. Na medida em que prazos são prorrogados, o zoneamento - uma conquista tecnológica - deixa de ser uma ferramente importante.


