Curitiba Os produtores rurais do Paraná têm uma dívida de custeio e investimento com o Banco do Brasil avaliada em R$ 2,1 bilhões. Dos 41.500 agricultores que estão em débito com o banco, 78% já manifestaram o interesse em prorrogar as dívidas.
O assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque, disse que os agricultores que não fizerem a prorrogação vão ficar em situação difícil porque grande parte deles está sem renda devido às perdas com a estiagem e em função da baixa cotação do dólar.
Os produtores rurais que quiserem prorrogar as dívidas têm prazo só até 31 de julho, independente do mês de vencimento. No caso das dívidas de custeio, é a data limite para os pedidos das parcelas de junho e julho.
De acordo com o gerente de mercado do agronegócio do Banco do Brasil no Paraná, Sérgio Roberto Mantovani, o produtor que não procurar o banco para regularizar sua situação vai ter de liquidar as operações dentro do prazo anteriormente estipulado.
Mantovani explicou que a parcela que vence neste ano das dívidas de investimento será prorrogada para 12 meses após o vencimento da última parcela. No caso das dívidas de custeio da safra 2004/2005 que tinham sido prorrogadas no ano passado, a parcela que vence neste ano vai seguir a mesma regra aplicada à dívida de investimento.
Já para as dívidas de custeio da safra 2005/2006, no caso da soja, o produtor pode prorrogar até 55% do valor devido e, para o milho, poderá alongar até 35% do valor total a ser pago e parcelar em cinco anos. O primeiro pagamento acontece em 2007.
Outra dívida - O Paraná tem 3.500 produtores que possuem dívidas de Pesa e securitização. Para este tipo de dívida, através de medida provisória, o governo federal transferiu a cobrança dos bancos para a Procuradoria da Receita Federal. Assim, quando o agricultor fica inadimplente torna-se devedor do Tesouro Nacional e é tratado como um devedor fiscal.
Segundo Albuquerque, alguns produtores entraram na Justiça para limpar o nome na praça e ainda para tirar a dívida do Tesouro Nacional e retornar para os bancos. O deputado federal Max Rosenmann (PMDB-PR), mandou diversas correspondências para ministros e até à Presidência da República para tentar reverter a situação.
''Apesar dos esforços e manifestações junto aos ministros, a insensibilidade do governo é 100%. Prova disso é que o ministro da Agricultura pediu demissão'', disse. Em Contenda (próximo de Araucária), já há agricultores tendo as dívidas executadas e os imóveis e maquinários levados a leilão.

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