São Paulo - Está chegando o final do prazo para que os titulares de cadernetas de poupanças antigas entrem na Justiça para recuperar as perdas causadas pelo Plano Bresser. Quem foi prejudicado e quer seu dinheiro de volta precisa procurar um advogado, no máximo, até o dia 31 deste mês. Estima-se que há cerca de R$ 1,9 trilhão esquecidos nos bancos públicos e privados referentes a troca de indexador da poupança. Se o dinheiro não for requisitado pelos titulares das contas, será incorporado ao patrimônio dos bancos.
Segundo as simulações baseadas nos índices de correção propostos pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) para ações e a planilha para cálculo disponível no site www.disop.com.br, para cada mil cruzados aplicados na poupança em junho de 1987, o titular receberá R$ 87,10.
Quem tinha 5 mil cruzados na poupança, por exemplo, tem direito a R$ 435,51. Já quem tinha 300 mil cruzados, pode receber R$ 26.130,49.
Paulo Pacini, advogado do Idec, afirma que o valor é resultado de uma diferença no rendimento das cadernetas de poupança referente ao saldo de junho 1987. Segundo ele, na época, as poupanças deveriam ter rendido 26,69%. Porém, devido a mudanças econômicas, o rendimento foi de 18,61%. Isso gerou uma diferença de 8,08%, que pode ser cobrada na Justiça.
Só têm direito à correção os titulares de cadernetas de poupança com saldo em junho e julho de 1987 e que tenham aniversário na primeira quinzena de cada mês. ''Os outros não foram prejudicados e, por isso, não tem o quê receber'', explica. Mesmo se a conta foi encerrada ou o titular já morreu, a perda pode ser recuperada.
Processo - É preciso entrar com um processo contra o banco em que a conta foi aberta. Se ele já tiver fechado, o poupador deve processar o banco que assumiu as contas. Caso o titular tenha morrido, o processo pode ser feito pelo cônjuge ou herdeiro.
O advogado Alexandre Berthe diz que, dependendo do valor, o poupador pode procurar juizados especiais sem advogado. É necessário apresentar o extrato da época.
Extrato - A corrida pelos extratos das cadernetas de poupança tem causado problemas para quem quer buscar na Justiça as perdas do Plano Bresser.
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), há bancos que negam o documento aos seus clientes. Se isso acontecer, o cliente deve protocolar um pedido do extrato por escrito e encaminhar reclamação ao Banco Central. O processo deve ser aberto, anexados os comprovantes do pedido e da queixa ao BC. O advogado Paulo Pacini, do Idec, afirma que este tipo de processo é mais passível de engano. ''O cliente precisa ter certeza que tem direito. Até a declaração do Imposto de Renda daquele ano vale para o processo''.

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