Prazo para investir na C&A e no BMG vai até quarta-feira
Processos de abertura de capital das duas companhias são opções para quem quer investir a partir de R$ 3 mil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Processos de abertura de capital das duas companhias são opções para quem quer investir a partir de R$ 3 mil
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

Quem tiver interesse em investir na loja de departamento C&A ou no banco BMG tem até a próxima quarta-feira (23) para apresentar pedido de reserva de ações nas corretoras. As duas empresas farão seus IPOs na bolsa brasileira, a B3. A sigla em inglês, que significa oferta pública inicial, se refere ao processo em que uma companhia vai pela primeira vez ao mercado de capitais para vender novas ações (oferta primária) ou ações já existentes dos sócios (oferta secundária). No primeiro caso, o dinheiro obtido é investido na própria companhia e, no segundo, vai para os controladores.
Tanto no caso da C&A como do BMG, o investimento mínimo é de R$ 3 mil. As ações da primeira foram fixadas numa faixa que vai de R$ 16,50 a R$ 20 cada e as do banco, de R$ 11,60 a R$ 13,40.
O planejador financeiro da youp! Financial Group, João Botosso, afirma que, comprar ações em IPO é uma boa opção porque elas tendem a se valorizar na sequência, mas ressalva que, como todo investimento na bolsa, deve ser para médio ou longo prazos. “No curto prazo há muitas oscilações”, alega.
A reportagem analisou os valores das ações de 12 IPOs realizados no País desde o início de 2017 (ver quadro) e, de fato, esses papéis se valorizaram bastante quando se compara os preços iniciais com os desta quinta-feira (17). Mas a maioria também teve momentos de baixas até agora.
Somente as ações da indústria de alimentos Camil, que abriu capital em setembro de 2017, têm os preços atuais mais baixos que os alcançados na data da oferta inicial - tendo caído de R$ 9 para R$ 6,37 cada. Os papéis da Vivara, cujo IPO se deu há dez dias, estão estáveis.
Entre as 12 companhias, as ações do plano de saúde NotreDame Intermédica foram as que mais se valorizaram desde a abertura de capital em abril de 2018. Nada menos que 268%. Elas foram ofertadas a R$ 16,50 no IPO e, nesta quinta-feira, estavam a R$ 60. A evolução da companhia nos 18 meses foi praticamente constante.
Ao contrário, o gráfico de evolução dos papéis da aérea Azul oscila bastante. Depois de se valorizarem nos primeiros meses, as ações voltaram ao valor inicial um ano após, e atingiram o pico de R$ 55,47 em agosto deste ano. Nesta quinta-feira, estavam a R$ 51,20 ou 144% acima do valor do IPO.
O investidor que apostou na compra de ações da companhia Hermes Pradini, do setor de saúde, teria levado um bom prejuízo caso precisasse se desfazer do papel sete meses após o IPO de abril de 2017. Teria vendido por R$ 13 a ação que comprou a R$ 18.
Da mesma forma, quem adquiriu papéis da locadora Movida a R$ 7,50 perderia dinheiro se precisasse se desfazer deles em julho de 2018. Venderia a menos de R$ 5 o ativo que comprou a R$ 7,50 em fevereiro de 2017. Hoje, a ação da Movida está 98% acima do valor ofertado no IPO. Nenhum produto de renda fixa teria atingido uma rentabilidade próxima a essa.
CUIDADOS
João Botosso ressalta que o investidor de ações precisa levar em conta que elas não têm a previsibilidade do mercado de crédito. Mas alega que a bolsa foi bastante regulamentada nos últimos anos, o que trouxe mais segurança para os investimentos. Uma maior participação dos brasileiros na B3, na visão dele, será inevitável uma vez que o País vive recorde de juros baixos, que podem cair ainda mais. A taxa básica de juros (Selic), hoje a 5,50% ao ano, deve terminar 2019 a 4,75% ao ano. “Se quiser ter rentabilidade, o investidor não poderá ficar em renda fixa. Terá de ir para ações.”
O planejador aconselha os investidores a contarem com profissionais de confiança para os auxiliarem nas decisões.
Lucas Moratto, da Real Investor Gestão de Recursos, diz que é preciso ter cuidado com os IPOs. Segundo ele, há maneiras de se “embelezar a noiva” sem incorrer em ilegalidades. Moratto se refere a “ajustes contábeis” que podem ser feitos nos relatórios da empresa que podem dar a impressão de que ela está mais sólida do que na realidade.
Por isso, ele aconselha o investidor ler os prospectos que as companhias são obrigadas a divulgar antes do IPO. Esses documentos estão no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e podem ser facilmente obtidos por meio de uma pesquisa no Google. Neles, estão todas as informações sobre o processo de abertura do capital da companhia, como número e preços de ações a serem disponibilizadas, se são primárias ou secundárias, prazos, entre outras.
“Mas é bom também ler um documento mais completo que é o formulário de referência que traz inclusive os riscos do negócio”, afirma Moratto. De acordo com ele, muita gente teria se poupado de perder dinheiro ao apostar nos negócios do empresário Eike Batista caso tivessem lido o documento. “Ali estava bem descrito a possiblidade de as empresas X não encontrarem petróleo”, ressalta.
SEGUNDO ESTUDO, 45% DAS COMPANHIAS SÃO ‘VULNERÁVEIS’
A bolsa brasileira tem 45% das companhias consideras de baixa performance. Estudo da consultoria Alvarez&Marsal classifica 25% delas como vulneráveis e 20% como extremamente vulneráveis. Ou seja, das 389 empresas com ações comercializadas na B3, 175 têm baixa performance, sendo 97 vulneráveis e 78 extremamente vulneráveis.
A Alvarez&Marsal não divulga os nomes das companhias que se encontram nessas condições. As 10 melhores são, pela ordem, Magazine Luiz, Tegma Gestão Logística, B3, Trisul, Equatorial Energia, WEG, REnner, Sabesp, Rumo e Raia Drogasil.
“O levantamento é feito com dados públicos e históricos dessas companhias. É importante ressaltar que apenas três das vulneráveis estão no Ibovespa”, afirma Kevin Munier, diretor sênior da consultoria. Ele se refere ao principal índice da bolsa brasileira, que atualmente é composto por 68 ações de companhias listadas. Esses papeis correspondem a 80% do número de negócios e do volume financeiro da B3.
O diagnóstico da consultoria leva em conta mais de 20 itens divididos em seis grupos: retorno para o investidor em comparação aos concorrentes; valuation (atratividade com foco em uma margem de segurança); rentabilidade (margens de lucro decrescentes x custos crescentes); crescimento; alocação de capital; e risco.
Pesquisa da mesma consultoria e com a mesma metodologia feita nos Estados Unidos com 3 mil empresas listadas concluiu que apenas 20% delas estão vulneráveis. São 18% vulneráveis e 2% extremamente vulneráveis.
Para o planejador financeiro da youp! Financial Group, João Botosso, o número de empresas que a consultoria considerou como vulnerável surpreende. Mas ele garante que, trabalhando com as ações que compõem o Ibovespa, o investidor já estará com boa margem e segurança. Outra dica é olhar para o nível de governança da companhia, disponibilizado no site da B3.
No segmento Novo Mercado, de mais alto grau de governança, há 139. “Há muitas ações nas quais se pode investir sem medo”, afirma. (N.B.)



