Brasília - O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem ser contrário à suspensão da Tarifa Externa Comum (TEC), atualmente em 11,5%, para as importações de trigo procedentes de países que não integram o Mercosul.
Para o ministro, a suspensão da TEC até setembro, como pediu ontem a Associação Brasileira de Trigo (Abitrigo) à Câmara de Comércio Exterior (Camex), só se justificaria se as dificuldades em importar trigo daquele país se prolongassem por muito tempo.
‘‘Uma decisão dessas no momento de crise por que passa a Argentina seria um golpe muito grande para o país vizinho e prejudicaria muito o comércio com o Brasil e o Mercosul’’, enfatizou. Pratini disse que, além desses prejuízos, até que a medida entre em vigor - se aprovada - e que os contratos de importação sejam firmados, seriam necessário alguns meses.
Pedido inócuo - Isso poderia tornar o pedido da Abitrigo inócuo. ‘‘Temos de trabalhar para ajudar a Argentina a superar suas dificuldades’’, disse Pratini.
Os representantes da indústria do trigo reuniram-se ontem com o secretário-executivo da Camex, Roberto Giannetti da Fonseca, para pedir a redução ou a eliminação do Imposto de Importação sobre o produto adquirido fora do Mercosul e, assim, conter o risco de haver desabastecimento no Brasil. Gianetti pediu dados mais detalhados até quinta-feira sobre a situação do estoque, quando haverá reunião da Camex.
Os moinhos querem importar o produto de outros mercados, como os Estados Unidos e o Canadá. O presidente da Abitrigo, Reino Pécola Rae, disse que outros países, como a Ucrânia, o Casaquistão e a Austrália, também têm excedentes exportáveis do produto.
A tentativa das indústrias de garantir seu abastecimento comprando trigo em outros países - diante das incertezas que cercam o fornecimento argentino -, não foi bem recebida no interior do Paraná. Fontes das cooperativas disseram que o produtor nacional será prejudicado; talvez mais que a Argentina.
O triticultor já enfrenta a entrada do trigo argentino protegido por um acordo com o Mercosul - pouco interessante para o produto nacional - e, agora, a retirada da tarifa (TEC) do trigo do Canadá e EUA poderia complicar a situação. É o aumento da oferta de trigo importado para competir com o trigo nacional.
Para os produtores de trigo, a medida seria um desestímulo à produção, justamente nesse momento em que a área pode aumentar com o fracasso da safrinha de milho, prejudicada pela seca.

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