Ariel Palacios
Agência Estado
De Buenos Aires
O ministro da Agricultura, Marcus Pratini de Moraes, está em Buenos Aires para propor ao governo argentino um amplo acordo sanitário para produtos agrícolas. ‘‘Queremos discutir um acordo sanitário geral, em vez de estar discutindo produto por produto, doença por doença’’, declarou o ministro. Pratini afirmou que ‘‘não há interesse algum na continuação das brigas comerciais entre os dois países. Queremos unir esforços para combater o protecionismo agrícola dos EUA e da União Européia’’.
A chegada do ministro brasileiro ocorre poucos dias depois do anúncio de novas barreiras para os frangos provenientes do Brasil. Desta vez, no entanto, em vez de serem alfandegários, os obstáculos são sanitários: o serviço sanitário argentino determinou que os frangos brasileiros terão que passar por uma burocrática fiscalização por serem suspeitos de contaminação com a doença de Newcastle, uma enfermidade respiratória fatal para as aves. ‘‘Não existe esta doença no Brasil há muito tempo’’, retrucou Pratini de Moraes, que se reuniria no final da tarde de ontem com o secretário da Agricultura da Argentina, Antonio Berhongaray.
Pratini disse que tem boa expectativa de chegar a um acordo sobre as aves: ‘‘a venda de frangos brasileiros neste país equivalem apenas a 5% da produção da Argentina. Não acredito que essa pequena porcentagem vá prejudicar em algo’’. O ministro atribuiu os protestos dos produtores locais ‘‘às dificuldades que alguns setores na Argentina têm hoje com a competitividade. Sempre que há recessão em um país, é normal que surjam medidas protecionistas’’.
No governo do presidente Fernando De la Rúa existe temor que o Brasil aplique retaliações sanitárias por atitudes protecionistas argentinas. Neste país, Pratini de Moraes tem fama de duro negociador e de não vacilar em reagir rapidamente a eventuais ameaças para os produtos brasileiros. Entre os potenciais alvos de retaliações que os argentinos mais temem estão as vendas de lácteos, que no Brasil encontraram um receptivo mercado. Outro produto é o mel: a Argentina é o maior produtor mundial, e não quer perder o enorme mercado consumidor brasileiro do produto.
‘‘Nosso objetivo é fortalecer o Mercosul’’, disse Pratini de Moraes, que argumentou que ‘‘os países desenvolvidos querem ver o fracasso da aliança comercial Brasil-Argentina’’. O ministro afirmou que ‘‘para enfrentar os países ricos, entre outras medidas, precisamos criar a marca Mercosul. Assim poderemos vender determinados produtos agrícolas com esforços conjuntos de marketing e de distribuição. Poderíamos começar com as frutas brasileiras e argentinas, e depois passar para as carnes’’.
Pratini de Moraes declarou que no ano passado, na área do agrobusiness, o Brasil teve um superávit nas exportações para todo o mundo de US$ 13 bilhões, e a previsão é que este ano seja de US$ 15 bilhões. Com a Argentina, no entanto, existe déficit nesse setor, e segundo o ministro, permanecerá por algum tempo: enquanto que o Brasil exporta US$ 250 milhões em produtos agrícolas para a Argentina, importa deste país US$ 1 bilhão.Ministro da Agricultura quer um amplo acordo sanitário com o país vizinho para unir esforços contra o protecionismo dos EUA e União Européia
Arquivo FolhaPELA UNIÃOPratini diz acordo tem como objetivo fortalecer o Mercosul para enfrentar os países desenvolvidos

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