Pratini prometeu financiamento. Terada recebeu um saco de milho
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
A lavoura de café que o ministro da Agricultura, Marcos Vinícius Pratini de Morais, visitou na região de Maringá, em julho deste ano, recebeu 40 quilos de semente de milho como apoio para a próxima safra. O incentivo acabou tendo pouca utilidade para a propriedade do cafeicultor Vitório Tetsuo Terada, que há 26 anos lida com café. Terada optou em recuperar o cafezal atingido pela geada de julho a pior do Paraná desde 1975 com recursos próprios. Agora nem vou querer nada porque o governo cobra muito caro quando ajuda, disse o cafeicultor.
O receio dos juros cobrados em financiamento e a falta de qualquer tipo de incentivo para a cultura também levaram Terada a trabalhar sozinho. A propriedade dele, com cinco hectares de café tradicional e adensado recebeu o ministro, mas não conquistou benefícios, a exemplo dos demais cafeicultores paranaenses. Até agora Terada gastou R$ 2 mil na recepagem de 2,5 hectares cultivados com café tradicional.
Vou precisar fazer a adubação química, foliar e depois fazer a desbrota, mas não calculei quanto vou gastar com isso, contou o cafeicultor. Ele calcula que os prejuízos com a geada e a falta de produção até 2002 devem ultrapassar R$ 24 mil. O papel do governo nesta situação deveria ser de, pelo menos, controlar o preço do café e manter a estabilidade dos preços de outros produtos como o combustível, aponta Terada.
Segundo o agricultor Mateus Nunhes, que erradicou um alqueire e meio de café tradicional depois da geada, a situação está bastante complicada para o pequeno e médio produtor rural. Nunhes está cultivando soja no lugar do café erradicado, mas pretende depois da colheita, em março do ano que vem, plantar 12 mil mudas de café adensado.
O café é ainda um bom negócio por causa da diversificação exigida para quem sobrevive da pequena propriedade, contou o agricultor. Ele mantém o cultivo de 20 mil mudas do adensado. Nunhes lamenta porém a falta de incentivos para a cultura. Não recebi nada do governo, nem sequer apoio técnico ou de mudas, contou.
Para o agricultor, o governo faz muita propaganda e quando anuncia a liberação de recursos, o dinheiro acaba custando muito caro para quem precisa de financiamento. Eu tenho medo de pegar dinheiro para custear o café porque já vi muita gente perder a propriedade para banco e sempre quem perde é o pequeno ou o médio produtor, ressalta Nunhes.


