A lavoura de café que o ministro da Agricultura, Marcos Vinícius Pratini de Morais, visitou na região de Maringá, em julho deste ano, recebeu 40 quilos de semente de milho como apoio para a próxima safra. O ‘‘incentivo’’ acabou tendo pouca utilidade para a propriedade do cafeicultor Vitório Tetsuo Terada, que há 26 anos lida com café. Terada optou em recuperar o cafezal atingido pela geada de julho – a pior do Paraná desde 1975 – com recursos próprios. ‘‘Agora nem vou querer nada porque o governo cobra muito caro quando ajuda’’, disse o cafeicultor.
O receio dos juros cobrados em financiamento e a falta de qualquer tipo de incentivo para a cultura também levaram Terada a trabalhar sozinho. A propriedade dele, com cinco hectares de café tradicional e adensado recebeu o ministro, mas não conquistou benefícios, a exemplo dos demais cafeicultores paranaenses. Até agora Terada gastou R$ 2 mil na recepagem de 2,5 hectares cultivados com café tradicional.
‘‘Vou precisar fazer a adubação química, foliar e depois fazer a desbrota, mas não calculei quanto vou gastar com isso’’, contou o cafeicultor. Ele calcula que os prejuízos com a geada e a falta de produção até 2002 devem ultrapassar R$ 24 mil. ‘‘O papel do governo nesta situação deveria ser de, pelo menos, controlar o preço do café e manter a estabilidade dos preços de outros produtos como o combustível,’’ aponta Terada.
Segundo o agricultor Mateus Nunhes, que erradicou um alqueire e meio de café tradicional depois da geada, a situação está bastante complicada para o pequeno e médio produtor rural. Nunhes está cultivando soja no lugar do café erradicado, mas pretende depois da colheita, em março do ano que vem, plantar 12 mil mudas de café adensado.
‘‘O café é ainda um bom negócio por causa da diversificação exigida para quem sobrevive da pequena propriedade’’, contou o agricultor. Ele mantém o cultivo de 20 mil mudas do adensado. Nunhes lamenta porém a falta de incentivos para a cultura. ‘‘Não recebi nada do governo, nem sequer apoio técnico ou de mudas’’, contou.
Para o agricultor, o governo faz muita propaganda e quando anuncia a liberação de recursos, o dinheiro acaba custando muito caro para quem precisa de financiamento. ‘‘Eu tenho medo de pegar dinheiro para custear o café porque já vi muita gente perder a propriedade para banco e sempre quem perde é o pequeno ou o médio produtor’’, ressalta Nunhes.

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