Pratini promete endurecer com americanos
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Gilmar Agassi Equipe da Folha 
Cascavel - O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, garantiu ontem que o Brasil não aceitará negociar com o mercado internacional, enquanto o governo americano continuar dando subsídios as exportações de seus produtos. Pratini de Moraes esteve visitando as instalações do Show Rural Coopavel 2002, em Cascavel, onde aproveitou para assinar convênios com o Banco do Brasil.
O ministro ressaltou que finalmente o Brasil está fazendo valer sua competitividade e alta qualidade de seus produtos, o que está deixando os americanos preocupados com o futuro de seus projetos de expansão comercial. Pratini de Moraes explicou que a atitude dos Estados Unidos de subsidiar as exportações de seus produtos está deprimindo o preço da soja no mercado internacional. Se não abrirem mais mercado para a agricultura, não iremos mais negociar, esbravejou.
O ministro da Agricultura observou que as medidas adotadas pelos Estados Unidos estão impedindo que os agricultores brasileiros exportem um volume ainda maior de soja para o mercado internacional. Ele disse ainda que o Brasil não deve temer represálias por parte das grandes potências internacionais, porque comércio e política nunca devem ser misturados.
Demonstrando bastante otimismo com o atual momento da agricultura brasileira, Pratini de Moraes afirmou que o país tem condições de ser a maior potência agrícola do mundo em um prazo máximo de 10 anos. Segundo o ministro, é necessário apenas a manutenção dos trabalhos do governo e do setor privado quanto às exportações para que a meta seja atingida nos próximos anos. Não tenho a menor dúvida de que poderemos nos tornar também o maior exportador de carnes em três ou quatro anos, frisou.
Ao ser questionado sobre os problemas enfrentados pelos produtores de leite com os baixos preços praticados no mercado, o ministro declarou que está aguardando o resultado das CPIs montadas em vários estados brasileiros para tomar uma atitude sobre o assunto. Entretanto, ele falou que uma das alternativas para a resolução do problema seria uma maior participação das cooperativas na compra do produto. É necessário estimular a concorrência, completa.
Em relação ao trigo, Pratini de Moraes adiantou que até o final deste mês será divulgado um plano de governo com medidas que permitirão aumentar em 50% a produção da cultura em um prazo de três anos, chegando a um montante de 5 milhões de toneladas. Sobre a auto-suficiência do trigo no mercado nacional, o ministro falou que esta questão precisa ser bem avaliada, devido à proximidade com países produtores, como a Argentina.
Finalizando a entrevista coletiva, Pratini de Moraes disse que não estava fazendo campanha política, apesar de seu partido, o PPB, tê-lo escolhido como um pré-candidato para disputar a presidência da República.


